SGCH - Santa Genoveva Complexo Hospitalar (MG) — Prova 2015
Paciente de 25 anos, negra, primigesta, com 32 semanas, apresenta-se ictérica, com leve desconforto em área de hipocôndrio direito, referindo vômitos. Nível pressórico de 170 x 100 mmHg. O exame obstétrico revela ausência de atividade uterina, altura uterina de 27 cm, apresentação cefálica, 140 batimentos cardíacos fetais por minuto, rítmicos, colo impérvio. Os exames revelam transminases elevadas (TGO 340 UI/ml, TGP 290 UI/ml), discreta elevação de bilirrubinas, hemoglobina de 10,5 g/dl, hematócrito 36%, leucócitos de 12.000/mm³ sem desvio à esquerda, 99.000 plaquetas/mm³. O diagnóstico provável é:
HELLP: Gestante com pré-eclâmpsia, dor HD, vômitos, icterícia, plaquetopenia, ↑ transaminases e hemólise.
A Síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por Hemólise (H), Elevação de Enzimas Hepáticas (EL) e Baixa Contagem de Plaquetas (LP). Os sintomas incluem dor epigástrica/hipocôndrio direito, náuseas, vômitos e icterícia, associados à hipertensão.
A Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas e Baixa Contagem de Plaquetas) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, que ocorre em 0,5% a 0,9% de todas as gestações e em 10% a 20% das mulheres com pré-eclâmpsia grave. É uma condição de alto risco, associada a morbimortalidade materna e perinatal significativas, sendo crucial para residentes de ginecologia e obstetrícia reconhecerem e manejarem prontamente. Os sintomas da Síndrome HELLP são variados e podem mimetizar outras condições, o que dificulta o diagnóstico. Incluem dor no quadrante superior direito ou epigástrica, náuseas, vômitos, cefaleia e mal-estar geral. A icterícia é menos comum, mas pode ocorrer. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, levando à ativação plaquetária, hemólise microangiopática e necrose hepatocelular. O diagnóstico é laboratorial, baseado nos critérios de hemólise (esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta elevada, LDH elevada), elevação das transaminases (TGO e TGP) e plaquetopenia. O manejo da Síndrome HELLP é complexo e visa a estabilização materna e a interrupção da gestação. A decisão de interromper a gravidez é geralmente tomada independentemente da idade gestacional, devido ao risco iminente de complicações como ruptura hepática, coagulação intravascular disseminada, insuficiência renal e acidente vascular cerebral. O uso de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e corticosteroides para maturação pulmonar fetal (se a idade gestacional permitir) são condutas importantes. O parto, seja vaginal ou cesariana, geralmente leva à resolução da síndrome, embora a recuperação possa levar dias.
Os critérios incluem hemólise (esquizócitos, bilirrubina indireta > 1,2 mg/dL, LDH > 600 UI/L), elevação de enzimas hepáticas (TGO/TGP > 2x o limite superior da normalidade) e plaquetopenia (< 100.000/mm³).
A principal conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna, devido ao risco de complicações graves para mãe e feto.
A diferenciação se baseia na presença dos critérios laboratoriais de HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetopenia) e na associação com pré-eclâmpsia, que não estão presentes em outras condições como colecistite ou apendicite.
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