Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025
Primigesta, moradora de comunidade sem saneamento básico, 40 semanas e 3 dias de idade gestacional, procura pronto atendimento por diarreia, náuseas e vômitos. Refere que já havia procurado atendimento pelas mesmas queixas há 2 dias. Refere diminuição de movimentação fetal. Nega perdas genitais, alterações intestinais e urinárias. Retornou de viagem internacional há 2 meses. Ao exame físico a paciente encontra-se afebril, pressão arterial 140 x 90 mmHg, edema +++/4+. Exames laboratoriais com TGO 180 UI/L (normal < 50 UI/L); TGP 160 UI/L (normal < 50 UI/L); DHL 900 UI/L (normal < 250 UI/L); Bilirrubina total 5mg/dL (normal 0,3 - 1,2 mg/dL); plaquetas 80.0000/mm³ (normal 150.000 - 450.000mm³). Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Gestante com hipertensão, plaquetopenia, hemólise e ↑ enzimas hepáticas = Síndrome HELLP.
A Síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por Hemólise (H), Elevação das Enzimas Hepáticas (EL) e Plaquetopenia (LP). O quadro clínico pode incluir sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos e dor epigástrica, além de hipertensão e edema, exigindo reconhecimento e manejo urgentes.
A Síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por uma tríade de achados laboratoriais: Hemólise (H), Elevação das Enzimas Hepáticas (EL) e Plaquetopenia (LP). Geralmente ocorre no terceiro trimestre da gestação ou no pós-parto imediato, e sua incidência varia de 0,5% a 0,9% de todas as gestações, sendo mais comum em casos de pré-eclâmpsia grave. É uma condição que exige reconhecimento e intervenção imediatos devido ao alto risco de morbimortalidade materna e perinatal. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, ativação plaquetária e microangiopatia, resultando em hemólise intravascular, lesão hepatocelular e consumo plaquetário. Clinicamente, as pacientes podem apresentar sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos, dor no quadrante superior direito do abdome ou epigástrica, cefaleia e mal-estar, além dos sinais de pré-eclâmpsia como hipertensão e edema. Os exames laboratoriais são cruciais para o diagnóstico, evidenciando as alterações na contagem de plaquetas, enzimas hepáticas (TGO, TGP, DHL) e bilirrubinas. O manejo da Síndrome HELLP é complexo e multidisciplinar, com a interrupção da gestação sendo a medida definitiva para resolver a condição. Antes do parto, é fundamental estabilizar a paciente, controlar a pressão arterial, prevenir convulsões com sulfato de magnésio e, se necessário, transfundir hemoderivados. O prognóstico materno e fetal depende da idade gestacional no momento do diagnóstico e da rapidez da intervenção. O residente deve estar apto a identificar precocemente essa condição e iniciar o manejo adequado.
Os critérios diagnósticos para a Síndrome HELLP incluem hemólise (evidenciada por esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL ou DHL >600 UI/L), elevação das enzimas hepáticas (TGO ou TGP >70 UI/L) e plaquetopenia (<100.000/mm³).
A principal conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, uma vez que a Síndrome HELLP é uma condição progressiva que pode levar a complicações maternas e fetais graves. O manejo inclui estabilização da paciente e avaliação da via de parto.
As complicações maternas incluem coagulação intravascular disseminada (CIVD), insuficiência renal aguda, edema pulmonar, acidente vascular cerebral, descolamento prematuro de placenta, rotura hepática e morte materna. A Síndrome HELLP aumenta significativamente a morbimortalidade materna.
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