INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma primigesta com 27 anos de idade, na 31ª semana de gestação, procura a emergência obstétrica, queixando-se de cefaleia occipital moderada e persistente há 12 horas. O exame físico revela: palidez cutâneomucosa ++/4+; edema de membros inferiores +++/4+; pressão arterial = 145 x 95 mmHg; altura uterina = 30 cm; batimentos cardíacos fetais = 140 bpm, com aceleração transitória presente. Dinâmica: duas contrações de 30 segundos em 10 minutos. Toque vaginal: colo grosso, posterior, uma polpa digital, bolsa íntegra. Cardiotocografia com padrão tranquilizador. Os resultados dos exames laboratoriais demonstram: hematócrito = 39% (valor de referência: 36 a 54%); hemoglobina = 13 g/dL (valor de referência: 13,0 a 16,5 g/dL); plaquetas = 65.000/mL (valor de referência: 130.000 a 450.000/mm³); desidrogenase láctica = 1.500 UI/L (valor de referência: 240 a 480 U/L); aspartato aminotransferase = 105 UI/L (valor de referência: < 34 U/L); proteinúria em fita +++/4+. Em face desse quadro clínico, a conduta adequada é:
HELLP Syndrome (Plaquetas < 100k + LDH > 600) → Estabilizar (MgSO4) + Resolução da gestação.
A Síndrome HELLP é uma emergência obstétrica grave. A conduta baseia-se na prevenção de convulsões (MgSO4), controle pressórico e interrupção da gestação, geralmente por via alta em casos graves.
A Síndrome HELLP representa uma das formas mais graves do espectro da pré-eclâmpsia, caracterizada por microangiopatia trombótica. O quadro clínico pode ser insidioso, com dor em hipocôndrio direito ou epigastralgia, mas a confirmação é laboratorial. No caso apresentado, a paciente possui plaquetopenia severa (65.000), LDH muito elevada (1.500) e transaminases alteradas, configurando HELLP completa. O manejo imediato exige a administração de sulfato de magnésio para neuroproteção materna contra convulsões. Embora a corticoterapia para maturação pulmonar fetal seja considerada entre 24 e 34 semanas, a gravidade do quadro laboratorial e a presença de sintomas neurológicos (cefaleia persistente) indicam que a estabilização seguida da resolução da gestação é a conduta mais segura para evitar complicações como descolamento prematuro de placenta ou hematoma hepático roto.
Os critérios clássicos incluem: Hemólise (esquizócitos, LDH > 600 UI/L, bilirrubina indireta > 1,2 mg/dL), Enzimas hepáticas elevadas (AST/TGO > 70 UI/L) e Plaquetopenia (Plaquetas < 100.000/mm³).
O sulfato de magnésio é o padrão-ouro para a profilaxia e tratamento de crises convulsivas (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave ou Síndrome HELLP, atuando no sistema nervoso central.
A via de parto depende da idade gestacional, condições cervicais (índice de Bishop) e estabilidade materno-fetal. Em casos graves com colo desfavorável e idade gestacional precoce, a cesárea é frequentemente a via de escolha após estabilização.
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