Manejo da Eclâmpsia e Síndrome HELLP na Gestação

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 18 anos de idade, está na sua primeira gestação com 34 semanas e 3 dias. Procura atendimento na unidade de emergência com quadro de cefaleia. Além disso, refere dor abdominal de moderada intensidade, náuseas e vômitos. Ao exame, está em regular estado geral, com PA de 165x100mmHg, além de edema de mãos e face. O abdome é gravídico, com batimento cardíaco fetal presente e tônus uterino normal. O restante do exame ginecológico estava normal. Os exames laboratoriais solicitados evidenciam: TGO 150U/L; TGP 300U/L; Plq 70.000/mm³; DHL 500U/L e bilirrubina total 1,05mg/dL, à custa de bilirrubina indireta. A cardiotocografia apresentou feto ativo. Após 30 minutos do início das medidas indicadas na questão anterior, a paciente apresentou quadro convulsivo tônico-clônico generalizado, autolimitada, que durou menos de um minuto. Qual é a conduta que deve ser realizada neste momento?

Alternativas

  1. A) Fazer uma dose de diazepam intravenoso, iniciar o uso de levetiracetam e encaminhar paciente para a unidade de terapia intensiva para monitorização neurológica até o parto.
  2. B) Fazer dose de ataque de fenitoína e encaminhar paciente para a unidade de terapia intensiva para monitorização neurológica, adiando o parto para o dia seguinte.
  3. C) Indicar a realização de plasmaférese de urgência e transferir a paciente para a unidade de terapia intensiva para monitorização, até que seja possível fazer o parto.
  4. D) Fazer 2g de sulfato de magnésio endovenoso e manter com cardiotocografia contínua até o parto cesáreo, que deve ser realizado em até 2 horas.
  5. E) Iniciar uso de nitroprussiato de sódio com objetivo de redução de 30% da pressão arterial e encaminhar a paciente a unidade de terapia intensiva.

Pérola Clínica

Eclâmpsia + HELLP → Estabilizar com MgSO4 + Parto (interrupção imediata após estabilização).

Resumo-Chave

A eclâmpsia associada à Síndrome HELLP exige controle convulsivo imediato com sulfato de magnésio e interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, devido ao alto risco materno-fetal.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave e suas complicações, como a eclâmpsia e a síndrome HELLP, representam as principais causas de morbimortalidade materna no Brasil. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial sistêmica e má adaptação placentária. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar focada na prevenção de danos neurológicos (convulsões e AVC) e falência de órgãos. O sulfato de magnésio deve ser mantido por 24 horas após o parto ou após a última crise convulsiva. O monitoramento da toxicidade pelo magnésio (reflexo patelar, frequência respiratória e diurese) é obrigatório durante a infusão.

Perguntas Frequentes

Qual a droga de escolha para convulsões na eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o padrão-ouro tanto para a prevenção quanto para o tratamento de crises convulsivas na eclâmpsia. Ele atua no sistema nervoso central reduzindo o edema cerebral e a excitabilidade neuronal. O esquema de ataque costuma ser de 4g a 6g EV, seguido de manutenção de 1g a 2g/h. Diferente dos benzodiazepínicos, o magnésio não causa depressão respiratória materna significativa nas doses terapêuticas e é superior na prevenção de recorrências.

Quais os critérios diagnósticos da Síndrome HELLP?

A Síndrome HELLP é definida pela tríade: Hemólise (H), Enzimas hepáticas elevadas (EL) e Baixas plaquetas (LP). Laboratorialmente, observa-se DHL > 600 U/L, presença de esquizócitos no sangue periférico, TGO/AST ≥ 70 U/L e contagem de plaquetas < 100.000/mm³. É uma complicação grave do espectro da pré-eclâmpsia e indica necessidade de vigilância intensiva e, frequentemente, resolução do parto.

Quando indicar o parto na eclâmpsia?

A eclâmpsia é uma indicação absoluta de interrupção da gestação após a estabilização materna inicial (garantia de via aérea, controle pressórico e início da sulfatoterapia). Não se deve aguardar a maturidade pulmonar fetal com corticoides se houver instabilidade clínica. A via de parto preferencial depende das condições obstétricas (colo uterino, vitalidade fetal), mas a cesárea é frequentemente indicada pela urgência do quadro.

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