Síndrome HELLP na Gestação: Diagnóstico e Manejo Urgente

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

L.N.S., 30 anos, primigesta, IG usg: 35 semanas e 6 dias, deu entrada no PSGO com PA 170 x 100 mmHg, sem sinais de iminência de eclâmpsia. Antecedentes: obesidade (IMC 40 kg/m²), HAC (hipertensão arterial crônica), em uso de metildopa 2 g/dia e anlodipino 20 mg/dia. Exames laboratoriais de 1 semana antes: plaquetas 150 000, ácido úrico 6,4. Exames de hj: relação proteína na urina/creatinina na urina: 0,4. Ácido úrico 7,4; plaquetas 85 000; DHL 800. Cardiotocografia: normal. Doppler fetal: normal. Indique o diagnóstico e a conduta adequada diante desse caso.

Alternativas

  1. A) Síndrome HELLP; hidralazina 5 mg EV, sulfato de Mg dose de ataque e manutenção e interrupção da gestação.
  2. B) Pré-eclâmpsia grave; hidralazina 5 mg EV, betametasona 12 mg, aguardar 24h da última dose do corticoide para interrupção da gestação.
  3. C) Pré-eclâmpsia leve; internação para controle de vitalidade e controle pressórico.
  4. D) Pré-eclâmpsia superajuntada; internação para controle pressórico e proteinúria de 24 horas.
  5. E) Hipertensão gestacional; hidralazina 5 mg EV e alta após normalização da PA, com retorno ao pré-natal.

Pérola Clínica

Gestante com HAC + PA alta + plaquetas ↓ + DHL ↑ + TGO/TGP ↑ = Síndrome HELLP → Estabilizar e interromper gestação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão arterial crônica e desenvolve pré-eclâmpsia superajuntada com sinais de gravidade (plaquetopenia, hemólise, elevação de enzimas hepáticas), configurando a Síndrome HELLP. A conduta é estabilização da PA, profilaxia de convulsão e interrupção da gestação.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP é uma complicação grave da gestação, geralmente associada à pré-eclâmpsia, e representa uma emergência obstétrica. Caracteriza-se por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, sendo crucial o reconhecimento precoce para evitar morbimortalidade materna e fetal. É mais comum em gestantes com pré-eclâmpsia grave ou superajuntada. O diagnóstico da Síndrome HELLP baseia-se em critérios laboratoriais específicos: plaquetas abaixo de 100.000/mm³, elevação das transaminases (TGO/TGP) para mais que o dobro do limite superior da normalidade e evidência de hemólise (DHL elevado, esquizócitos). A paciente do caso, com hipertensão crônica e esses achados, configura um quadro de pré-eclâmpsia superajuntada com HELLP. O tratamento da Síndrome HELLP visa estabilizar a paciente e interromper a gestação. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos endovenosos (ex: hidralazina), profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, após a estabilização materna, a interrupção da gravidez, preferencialmente por via vaginal se as condições forem favoráveis, ou cesariana. A administração de corticoides para maturação pulmonar fetal pode ser considerada se a idade gestacional permitir e o tempo não for um fator limitante para a interrupção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome HELLP?

A Síndrome HELLP é caracterizada por Hemólise (DHL > 600 UI/L, esquizócitos no esfregaço), Elevação de Enzimas Hepáticas (TGO/TGP > 2x o limite superior da normalidade) e Plaquetopenia (< 100.000/mm³).

Qual a conduta imediata em caso de Síndrome HELLP?

A conduta imediata inclui controle da pressão arterial (ex: hidralazina EV), profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, após estabilização materna, a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional.

Como a Síndrome HELLP se diferencia da pré-eclâmpsia grave?

A Síndrome HELLP é uma forma grave de pré-eclâmpsia, caracterizada especificamente pela tríade de hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. Nem toda pré-eclâmpsia grave evolui para HELLP, mas a HELLP sempre é considerada uma condição grave.

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