Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Gestante de 26 anos, 32 semanas, apresenta cefaleia intensa, epigastralgia e pressão arterial de 170x110 mmHg. Exames: plaquetas 85.000/mm³, TGO/TGP elevadas, DHL aumentado. Qual diagnóstico é mais compatível?
HELLP = Hemolysis (DHL↑) + Elevated Liver enzymes (TGO/TGP↑) + Low Platelets (<100k).
A Síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia caracterizada por hemólise microangiopática, disfunção hepática e trombocitopenia severa.
A Síndrome HELLP representa um espectro de disfunção endotelial sistêmica grave. A fisiopatologia envolve a ativação da cascata de coagulação e lesão microvascular, levando à deposição de fibrina nos sinusoides hepáticos e destruição mecânica de hemácias. O reconhecimento precoce é vital para prevenir complicações fatais como descolamento prematuro de placenta (DPP), insuficiência renal aguda e hematoma hepático subcapsular roto.
O diagnóstico baseia-se na tríade clássica: 1) Hemólise, evidenciada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, bilirrubina indireta ≥ 1,2 mg/dL ou desidrogenase lática (DHL) > 600 U/L; 2) Enzimas hepáticas elevadas, com TGO (AST) ≥ 70 U/L; 3) Plaquetopenia, com contagem de plaquetas < 100.000/mm³. A classificação de Tennessee é amplamente utilizada para definir esses parâmetros, enquanto a classificação de Mississippi foca na contagem de plaquetas para determinar a gravidade clínica.
Embora ambas ocorram no terceiro trimestre, a Esteatose Hepática Aguda da Gravidez (EHAG) frequentemente apresenta sinais de insuficiência hepática mais graves, como hipoglicemia profunda, prolongamento do tempo de protrombina (TAP/INR) e icterícia acentuada. Além disso, a EHAG costuma cursar com polidipsia e poliúria. A distinção é crucial, pois ambas são emergências, mas o manejo de suporte para falência multiórgãos na EHAG pode ser ainda mais intensivo.
A conduta envolve a estabilização materna com sulfato de magnésio para profilaxia de crises convulsivas e controle da pressão arterial se > 160/110 mmHg. Como a paciente tem 32 semanas, a interrupção da gestação é geralmente indicada após a estabilização. A corticoterapia para maturação pulmonar fetal pode ser considerada se as condições maternas permitirem uma espera de 24-48 horas, mas em casos de deterioração rápida, o parto deve ser imediato.
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