MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 28 anos, primigesta, com 31 semanas e 4 dias de idade gestacional, procura o pronto-atendimento referindo dor epigástrica intensa, náuseas e dois episódios de vômitos nas últimas 12 horas. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, porém queixosa de dor. Pressão arterial de 138/88 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm, edema generalizado (2+/4+) e dor à palpação profunda em hipocôndrio direito, sem sinais de peritonite. A dinâmica uterina está ausente e os batimentos cardiofetais são de 144 bpm, com variabilidade normal e presença de acelerações transitórias (Categoria I). Exames laboratoriais revelam: Hemoglobina 10,2 g/dL; Hematócrito 30%; presença de esquizócitos ++ em sangue periférico; Desidrogenase Láctica (DHL) 820 U/L; Aspartato Aminotransferase (AST) 180 U/L; Alanina Aminotransferase (ALT) 165 U/L; Bilirrubina Total 1,4 mg/dL (Indireta 1,1 mg/dL); Plaquetas 68.000/mm³; Creatinina 0,9 mg/dL e Proteinúria de fita 1+. Com base no quadro clínico e nos conhecimentos sobre a patologia descrita, assinale a alternativa correta:
Dor epigástrica + Hemólise + ↑ Enzimas Hepáticas + Plaquetas < 100k = Síndrome HELLP.
A Síndrome HELLP é uma emergência obstétrica do espectro da pré-eclâmpsia. O manejo exige estabilização materna, profilaxia de convulsões e planejamento do parto.
A Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets) representa uma forma grave de microangiopatia trombótica sistêmica. A fisiopatologia central é a lesão endotelial generalizada, levando à deposição de fibrina nos sinusoides hepáticos e consumo de plaquetas. O quadro clínico frequentemente mimetiza patologias abdominais (como colecistite ou gastrite) devido à distensão da cápsula de Glisson, o que torna o rastreio laboratorial obrigatório em gestantes com dor epigástrica. O manejo clínico prioriza a prevenção de complicações fatais, como a eclâmpsia (usando sulfato de magnésio) e o controle da pressão arterial. A via de parto não é obrigatoriamente cesariana; a indução vaginal pode ser tentada se houver condições obstétricas favoráveis e estabilidade clínica, reservando a via alta para indicações obstétricas ou urgências.
Os critérios clássicos (Tennessee) incluem: 1) Hemólise evidenciada por esquizócitos no sangue periférico ou DHL > 600 U/L; 2) Enzimas hepáticas elevadas (AST ≥ 70 U/L); e 3) Plaquetopenia (contagem de plaquetas < 100.000/mm³). A presença de bilirrubina indireta elevada (> 1,2 mg/dL) também corrobora a hemólise microangiopática característica da síndrome.
Em gestações entre 24 e 34 semanas, o corticoide (betametasona ou dexametasona) é indicado primordialmente para a maturação pulmonar fetal, visando reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal. Embora pulsoterapia com altas doses tenha sido estudada para elevar plaquetas e adiar o parto, as evidências atuais não sustentam seu uso rotineiro para melhorar desfechos maternos, mantendo-se o foco no benefício fetal.
A Síndrome HELLP é uma indicação de interrupção da gestação. Se a idade gestacional for ≥ 34 semanas, o parto deve ocorrer após estabilização. Entre 24 e 34 semanas, se houver estabilidade materna e fetal, pode-se aguardar 24 a 48 horas para completar o ciclo de corticoide. No entanto, instabilidade, sofrimento fetal, descolamento de placenta ou falência orgânica impõem o parto imediato.
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