UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Primigesta, 18 anos de idade, 32 semanas de gestação, referindo redução dos movimentos fetais. Nega dor em baixo ventre, perdas vaginais, alterações visuais ou outras queixas. Nega co-morbidades e relata que a pressão arterial passou a elevar-se há cerca de 30 dias. Ao exame físico obstétrico: orientada no tempo e espaço, pressão arterial= 150/ 100 mmHg, pulso cheio e forte= 87 pulsações por minuto, tônus uterino normal, dinâmica uterina ausente em 10 minutos, ausência de sangramento vaginal ou perda de líquido, 151 batimentos cardíacos fetais por minuto. Exames complementares: creatinina= 1,3 mg/dL; plaquetas= 90 000 /mm³, desidrogenase lática (DHL) = 1050 UI/L, bilirrubinas indiretas= 1,4, transaminases três vezes acima do valor de normalidade. Dentre as opções abaixo o diagnóstico correto é:
HELLP = Hemólise + Enzimas Hepáticas Elevadas + Plaquetopenia em gestante hipertensa.
A Síndrome HELLP é uma complicação grave da gestação, frequentemente associada à pré-eclâmpsia, caracterizada por hemólise (DHL e bilirrubina indireta elevadas), enzimas hepáticas elevadas (TGO/TGP) e plaquetopenia. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de desfechos maternos e fetais adversos.
A Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets) é uma complicação grave e potencialmente fatal da gestação, que ocorre em 0,5% a 0,9% de todas as gestações, sendo mais comum em pacientes com pré-eclâmpsia grave. Geralmente se manifesta no terceiro trimestre, mas pode ocorrer no segundo trimestre ou no pós-parto. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas devido ao alto risco de morbimortalidade materna e perinatal. O diagnóstico da Síndrome HELLP é laboratorial e baseia-se em três pilares: hemólise (evidenciada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, aumento da desidrogenase láctica - DHL, e aumento da bilirrubina indireta), elevação das enzimas hepáticas (transaminases, como TGO e TGP, duas vezes acima do limite superior da normalidade) e plaquetopenia (contagem de plaquetas abaixo de 100.000/mm³). Os sintomas podem ser inespecíficos, incluindo dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náuseas, vômitos e cefaleia, além da hipertensão. O manejo da Síndrome HELLP exige estabilização materna e, na maioria dos casos, a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, uma vez que a condição tende a piorar até o parto. O controle da pressão arterial, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e a correção de distúrbios de coagulação são medidas essenciais. A monitorização fetal é contínua, e a administração de corticosteroides pode ser considerada para acelerar a maturação pulmonar fetal se a idade gestacional permitir.
A Síndrome HELLP é diagnosticada pela presença de hemólise (esquizócitos em esfregaço, DHL > 600 UI/L, bilirrubina indireta > 1,2 mg/dL), enzimas hepáticas elevadas (TGO/TGP > 2x o limite superior da normalidade) e plaquetopenia (< 100.000/mm³).
As principais complicações maternas incluem coagulação intravascular disseminada (CIVD), insuficiência renal aguda, edema pulmonar, hemorragia cerebral, descolamento prematuro de placenta e ruptura hepática.
A conduta inicial envolve a estabilização da paciente, controle da pressão arterial, prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e, frequentemente, a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna.
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