CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Na esotropia progressiva do alto míope, também denominada síndrome da esotropia adquirida miópica, é frequente:
Heavy Eye Syndrome = Esotropia + Hipotropia + Deslocamento inferior do reto lateral no alto míope.
Na síndrome do 'Heavy Eye', o alongamento axial excessivo do globo ocular causa um prolapso súpero-temporal do olho, deslocando o reto lateral para baixo e o reto superior nasalmente, resultando em esotropia progressiva.
A esotropia progressiva do alto míope é uma complicação mecânica rara, mas grave, da miopia degenerativa. Diferente dos estrabismos essenciais, sua origem é puramente anatômica: o globo ocular torna-se tão longo e irregular (estafiloma) que ele 'escorrega' para fora do cone muscular. A ressonância magnética de órbita é o padrão-ouro para confirmar o deslocamento dos ventres musculares dos retos superior e lateral. O diagnóstico precoce é vital, pois a progressão leva a uma contratura do músculo reto medial, tornando a correção cirúrgica mais complexa. O reconhecimento de que o trajeto dos músculos retos está alterado (Alternativa A correta) é o conceito fundamental para entender por que as cirurgias de estrabismo padrão falham nesses pacientes.
A Síndrome de Heavy Eye, ou esotropia adquirida do alto míope, caracteriza-se por um desvio ocular convergente (esotropia) e vertical (geralmente hipotropia) progressivo em pacientes com alta miopia axial. O mecanismo fisiopatológico envolve o aumento do comprimento axial e a presença de estafilomas posteriores, que fazem com que o globo ocular 'hernie' através do espaço entre os músculos reto superior e reto lateral, deslocando-os de suas posições anatômicas originais.
Devido à configuração anatômica alterada, o músculo reto lateral é deslocado inferiormente e o músculo reto superior é deslocado nasalmente. Isso resulta em uma perda da força vetorial de abdução e elevação, levando a uma limitação importante desses movimentos. O paciente apresenta esotropia de grande ângulo e dificuldade de realizar a abdução, o que muitas vezes pode ser confundido com uma paralisia do VI par craniano.
O tratamento cirúrgico convencional de recuo e ressecção costuma ser insuficiente devido à causa mecânica subjacente. A técnica de escolha é a Myopexie (procedimento de Yokoyama ou variações), que consiste na união das barrigas musculares dos retos superior e lateral por meio de uma sutura não absorvível. Isso reposiciona os músculos sobre o estafiloma, estabilizando o globo ocular e melhorando significativamente o desvio e a motilidade.
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