Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Tratamento Correto

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

Na Síndrome de Guillain-Barré (polirradiculoneurite aguda), é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A paralisia muscular seja flácida, simétrica e ascendente.
  2. B) Ocorra dissociação proteinocitológica no líquido cefalorraquidiano.
  3. C) Corticosteroides é a medicação de escolha.
  4. D) Há hiporreflexia ou arreflexia tendinosa.

Pérola Clínica

SGB = paralisia flácida ascendente + arreflexia + dissociação proteinocitológica LCR. Corticosteroides NÃO são tratamento de escolha.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneurite aguda caracterizada por paralisia flácida ascendente e arreflexia, com dissociação proteinocitológica no LCR; o tratamento de escolha é imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese, e corticosteroides não são indicados.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneurite aguda desmielinizante, autoimune, que se manifesta como uma emergência neurológica. Caracteriza-se por uma paralisia muscular flácida, simétrica e ascendente, que geralmente se inicia nas extremidades inferiores e pode progredir para o tronco, membros superiores e músculos respiratórios, levando à insuficiência respiratória em 20-30% dos casos. A hiporreflexia ou arreflexia tendinosa é um achado cardinal. O diagnóstico da SGB é clínico, mas é suportado por exames complementares. A eletroneuromiografia (ENMG) mostra evidências de desmielinização ou axonalopatia. No líquido cefalorraquidiano (LCR), o achado clássico é a dissociação proteinocitológica, ou seja, aumento das proteínas com contagem celular normal ou levemente elevada. A suspeita deve ser alta em pacientes com fraqueza progressiva e arreflexia após um evento infeccioso (gastrointestinal ou respiratório). O tratamento da SGB visa modular a resposta imune e é crucial para limitar a progressão da doença. As terapias de escolha são a imunoglobulina intravenosa (IVIg) e a plasmaférese, que são igualmente eficazes. É INCORRETO afirmar que corticosteroides são a medicação de escolha; na verdade, estudos mostraram que eles não são benéficos e podem até retardar a recuperação. O manejo também inclui suporte respiratório e hemodinâmico, prevenção de complicações e reabilitação.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB tipicamente se manifesta com fraqueza muscular simétrica e ascendente, que pode progredir para paralisia, acompanhada de hiporreflexia ou arreflexia tendinosa. Pode haver dor neuropática e, em casos graves, disautonomia e insuficiência respiratória.

O que é a dissociação proteinocitológica no LCR?

É um achado clássico no líquido cefalorraquidiano (LCR) da SGB, caracterizado por um aumento significativo da concentração de proteínas (geralmente > 0,55 g/L) com contagem celular normal ou minimamente elevada (< 10 células/mm³), refletindo a inflamação radicular sem infecção.

Qual o tratamento de escolha para a Síndrome de Guillain-Barré?

O tratamento de escolha é a imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou a plasmaférese, que visam modular a resposta imune. Ambas são igualmente eficazes e devem ser iniciadas precocemente para reduzir a gravidade e acelerar a recuperação. Corticosteroides não são indicados.

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