HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 42 anos, procura a Unidade de Saúde apresentando há cinco dias dor muscular, perda de força distal, ascendente, simétrica, inicialmente em membros inferiores, com progressão para membros superiores, além da diminuição dos reflexos. Não faz acompanhamento regular, desconhece se tem algum problema de saúde, mas esta é a segunda vez que procura Unidade em duas semanas, sendo o primeiro atendimento por quadro de infecção de via aérea alta e medicado com sintomáticos. Em relação à hipótese diagnóstica para o quadro clínico apresentado no atendimento inicial na Atenção Primária, qual é a conduta mais adequada?
Fraqueza muscular ascendente, simétrica, com arreflexia e infecção prévia → Suspeitar SGB, internar para monitoramento respiratório.
O quadro clínico de fraqueza muscular progressiva, ascendente, simétrica e arreflexia, precedido por uma infecção de via aérea alta, é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré (SGB). A principal preocupação na SGB é o risco de progressão para insuficiência respiratória devido ao comprometimento da musculatura diafragmática e intercostal, o que exige monitoramento hospitalar rigoroso.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, autoimune, que afeta os nervos periféricos e raízes nervosas. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em adultos. Caracteriza-se por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Em cerca de 70% dos casos, é precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) nas semanas anteriores, como a infecção de via aérea alta mencionada no caso. O diagnóstico da SGB é primariamente clínico. A progressão da fraqueza pode ser rápida, atingindo o pico em dias a semanas. A principal complicação e causa de morbimortalidade é a insuficiência respiratória, que ocorre em 20-30% dos pacientes, devido ao comprometimento dos músculos respiratórios. Outras complicações incluem disautonomia (flutuações da pressão arterial, arritmias) e dor neuropática. A avaliação diagnóstica em ambiente hospitalar inclui eletroneuromiografia e análise do líquor (dissociação albumino-citológica). A conduta na atenção primária, diante da suspeita de SGB, é o encaminhamento urgente para um hospital terciário. O tratamento específico consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese, que devem ser iniciados o mais precocemente possível para reduzir a gravidade e acelerar a recuperação. O monitoramento hospitalar é essencial para detectar precocemente a insuficiência respiratória e outras complicações, garantindo suporte ventilatório quando necessário e manejo da disautonomia.
Os critérios clássicos incluem fraqueza muscular progressiva (geralmente ascendente e simétrica), arreflexia ou hiporreflexia, e ausência de outras causas para a fraqueza. A dissociação albumino-citológica no líquor (aumento de proteínas sem pleocitose) é um achado comum.
A SGB pode afetar os nervos que inervam os músculos respiratórios, como o diafragma e os intercostais, levando a uma fraqueza progressiva que compromete a capacidade de ventilação, resultando em insuficiência respiratória.
A conduta mais adequada é o encaminhamento imediato para ambiente hospitalar para avaliação neurológica especializada, monitoramento da função respiratória (capacidade vital forçada) e início precoce de tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo