Guillain-Barré: Achados que Excluem o Diagnóstico

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Após avaliar na enfermaria um paciente com quadro de paresia em membros inferiores, há muita dúvida na equipe de saúde quanto ao diagnóstico mais provável. Considerando a hipótese de síndrome de Guillain-Barré, qual dos achados a seguir é fortemente sugestivo CONTRA esse diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Discreta perda de propriocepção distal em membros inferiores.
  2. B) Dispneia decorrente de paresia de musculatura respiratória.
  3. C) Piora evolutiva da paresia em período de 4 meses.
  4. D) Abolição difusa de reflexos profundos.

Pérola Clínica

Piora de paresia > 4 semanas → CONTRA SGB (sugere CIDP ou outra condição crônica).

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineuropatia aguda, com a fraqueza atingindo o pico em até 4 semanas. Uma progressão da paresia por um período de 4 meses é incompatível com o diagnóstico de SGB, sugerindo uma condição crônica como a Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica (CIDP).

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineuropatia inflamatória aguda, desmielinizante ou axonal, mediada imunologicamente, que afeta os nervos periféricos e raízes nervosas. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em adultos e uma emergência neurológica devido ao risco de insuficiência respiratória. A SGB é frequentemente precedida por uma infecção (viral ou bacteriana), que desencadeia uma resposta autoimune contra componentes dos nervos periféricos. O diagnóstico da SGB é primariamente clínico, baseado na apresentação de fraqueza muscular progressiva e simétrica, geralmente ascendente, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. A progressão da fraqueza deve atingir seu pico em até 4 semanas. Achados como perda discreta de propriocepção e dispneia por paresia respiratória são compatíveis. A abolição difusa de reflexos profundos é um achado cardinal. A análise do líquor pode mostrar dissociação albumino-citológica (aumento de proteínas com contagem celular normal), e a eletroneuromiografia revela sinais de desmielinização ou axonopatia. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, utilizando imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese. O manejo de suporte, incluindo monitoramento respiratório e cardiovascular, é crucial. Uma progressão da paresia por mais de 4 semanas, como 4 meses, é um achado que exclui o diagnóstico de SGB e sugere outras condições, como a Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica (CIDP), que tem um curso mais prolongado e frequentemente recorrente.

Perguntas Frequentes

Qual é o curso temporal típico da fraqueza na Síndrome de Guillain-Barré?

Na SGB, a fraqueza muscular é tipicamente aguda ou subaguda, atingindo seu pico de gravidade em um período que varia de dias a, no máximo, 4 semanas após o início dos sintomas.

Quais achados clínicos são sugestivos de Síndrome de Guillain-Barré?

Achados sugestivos incluem fraqueza progressiva e simétrica, geralmente ascendente, arreflexia ou hiporreflexia difusa, e, em alguns casos, disautonomia e envolvimento da musculatura respiratória.

Como diferenciar a SGB da Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica (CIDP)?

A principal diferença está na temporalidade: a SGB tem um curso monofásico com pico de fraqueza em até 4 semanas, enquanto a CIDP apresenta um curso crônico e progressivo por mais de 8 semanas ou recorrente.

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