Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 43 anos, refere que iniciou há dez dias com quadro clínico de dor lombar sem irradiação. No segundo dia do quadro, passou a ter parestesias nos pés. No quarto dia, a paciente percebeu também dificuldade para caminhar, por fraqueza, que evoluiu de forma ascendente e progressiva. No sétimo dia, tinha fraqueza nas pernas, coxas e mãos, além de hipoestesia e parestesias em mãos e pés. Procurou atendimento hospitalar por piora progressiva nos quatro membros e dispneia. Ao exame físico: arreflexia tetrapendicular, reflexo cutâneo-plantar flexor bilateral, tetraparesia flácida, hipoestesia tátil, nociceptiva, proprioceptiva e palestésica. Foi realizada punção lombar, porém o líquor será analisado em outra cidade e o resultado ficará pronto após 48h. O diagnóstico mais provável é _____________________________ , e o tratamento indicado para este caso é _______________________________________________________ .

Alternativas

  1. A) mielite dorsal ou mielite longitudinalmente extensa - pulsoterapia com metilprednisolona 1 g IV por 7 dias
  2. B) polineuropatia inflamatória desmielinizante aguda - pulsoterapia com metilprednisolona 1 g IV por 5 dias
  3. C) polineuropatia inflamatória desmielinizante aguda - imunoglobulina humana ou plasmaférese
  4. D) polineuropatia inflamatória desmielinizante crónica - imunoglobulina humana

Pérola Clínica

Fraqueza ascendente + arreflexia + dispneia = Síndrome de Guillain-Barré → Imunoglobulina IV ou Plasmaférese.

Resumo-Chave

O quadro clínico de fraqueza progressiva ascendente, parestesias, hipoestesia e arreflexia tetrapendicular, com dispneia, é clássico da Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Aguda (SGB). O tratamento de escolha é imunoglobulina humana intravenosa ou plasmaférese, que devem ser iniciados precocemente.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), também conhecida como Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Aguda (AIDP), é uma doença autoimune rara que afeta o sistema nervoso periférico, levando a fraqueza muscular progressiva e paralisia. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em adultos. A rápida progressão dos sintomas e o potencial de envolvimento respiratório tornam seu reconhecimento e tratamento urgentes para residentes. O quadro clínico clássico da SGB inicia-se com fraqueza muscular simétrica e ascendente, geralmente acompanhada de parestesias e dor. A arreflexia ou hiporreflexia é um achado cardinal. A progressão pode levar ao comprometimento da musculatura respiratória e bulbar, causando dispneia e disfagia. O diagnóstico é clínico, suportado por eletroneuromiografia (que mostra desmielinização) e análise do líquor (dissociação albumino-citológica, embora possa ser normal nas fases iniciais). O tratamento da SGB é imunomodulador e deve ser iniciado o mais precocemente possível para otimizar o prognóstico. As opções terapêuticas comprovadas são a imunoglobulina humana intravenosa (IVIg) ou a plasmaférese. Ambas são igualmente eficazes e visam reduzir a resposta autoimune que causa a desmielinização. O tratamento de suporte, incluindo monitoramento respiratório rigoroso e fisioterapia, é igualmente crucial para a recuperação do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

Os critérios incluem fraqueza progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, e ausência de outras causas para a fraqueza. A dissociação albumino-citológica no líquor (aumento de proteínas sem aumento de células) é um achado clássico, mas pode demorar a aparecer.

Qual a importância da dispneia no quadro de SGB?

A dispneia indica envolvimento da musculatura respiratória, sendo um sinal de gravidade que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica, exigindo monitoramento intensivo em unidade de terapia intensiva.

Qual o mecanismo de ação da imunoglobulina humana e da plasmaférese na SGB?

A imunoglobulina humana (IVIg) atua modulando a resposta imune. A plasmaférese remove anticorpos e outros fatores inflamatórios do plasma que contribuem para a desmielinização. Ambos visam reduzir a gravidade e acelerar a recuperação.

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