IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Mulher, 42 anos, duas semanas após episódio viral respiratório, desenvolve paralisia flácida ascendente de membros inferiores com hipo/arreflexia. É realizada punção liquórica que evidencia a presença de dissociação albumino-citológica. Uma eletroneuromiografia é compatível com AIDP. O tratamento de escolha da paciente é:
Paralisia flácida ascendente + arreflexia + dissociação albuminocitológica no LCR = Síndrome de Guillain-Barré → Tratamento com Imunoglobulina IV ou plasmaférese.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma emergência neurológica autoimune. O tratamento visa modular a resposta imune e deve ser iniciado precocemente. A Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) e a plasmaférese são as únicas terapias com eficácia comprovada, enquanto os corticoides são ineficazes.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a causa mais comum de paralisia flácida aguda no mundo. Trata-se de uma polirradiculoneuropatia autoimune, frequentemente desencadeada por uma infecção prévia (viral ou bacteriana, como por Campylobacter jejuni), que leva a um ataque do sistema imune contra a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. O quadro clínico clássico, correspondente à variante AIDP (Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda), é de uma paralisia motora progressiva, ascendente e relativamente simétrica, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. O diagnóstico é sustentado pela análise do LCR, que mostra a dissociação albuminocitológica, e pela eletroneuromiografia, que evidencia padrões de desmielinização. O tratamento é uma emergência médica e visa interromper o ataque autoimune. As duas modalidades terapêuticas de primeira linha, com eficácia comprovada, são a Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) e a plasmaférese. A escolha entre elas depende da disponibilidade e das comorbidades do paciente. É fundamental ressaltar que os corticosteroides não têm papel no tratamento da SGB e não devem ser utilizados.
Refere-se a um achado característico no líquido cefalorraquidiano (LCR), que mostra um nível elevado de proteínas (albuminas) sem um aumento correspondente no número de células (pleocitose). Isso ocorre devido à inflamação das raízes nervosas, que aumenta a permeabilidade da barreira hemato-nervosa.
A dose padrão de imunoglobulina intravenosa (IVIG) para a Síndrome de Guillain-Barré é de 0,4 g/kg/dia, administrada por 5 dias consecutivos. O tratamento deve ser iniciado assim que o diagnóstico for estabelecido.
As complicações mais graves são a insuficiência respiratória por paralisia dos músculos respiratórios (diafragma e intercostais) e a instabilidade autonômica (arritmias, hipotensão ou hipertensão). Por isso, a monitorização em ambiente de terapia intensiva é frequentemente necessária.
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