Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Achados no Líquor

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 27 anos, refere coriza hialina, tosse produtiva e mialgia de início há três semanas com melhora espontânea após quatro dias. No entanto, após alguns dias, passou a apresentar fraqueza em membros inferiores, com dificuldade para deambular, que progrediu para discreta redução da força muscular em membros superiores. Ao exame físico, apresenta força muscular grau III em membros inferiores e grau IV em membros superiores. Reflexos osteotendíneos normais, ausência de sinais deliberação piramidal, sensibilidade normal. Assinale abaixo a hipótese diagnóstica mais provável e o exame a ser solicitado para sua confirmação, RESPECTIVAMENTE. 

Alternativas

  1. A) Acidente vascular medular cervical / Ressonância magnética
  2. B) Encefalopatia de Wernicke / Dosagem de tiamina. 
  3. C) Síndrome de Guillain-Barré / Coleta de liquor. 
  4. D) Esclerose lateral amiotrófica / Eletroneuromiografia. 

Pérola Clínica

SGB: fraqueza ascendente pós-infecção viral, reflexos normais/hipoativos, liquor com dissociação albumino-citológica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, frequentemente precedida por infecção (respiratória ou gastrointestinal). Caracteriza-se por fraqueza muscular progressiva e ascendente, com reflexos osteotendíneos diminuídos ou ausentes, e o líquor geralmente mostra dissociação albumino-citológica.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, de etiologia autoimune, que representa uma emergência neurológica. Caracteriza-se por uma fraqueza muscular progressiva, geralmente simétrica e ascendente, que pode levar à paralisia e insuficiência respiratória. A história clínica frequentemente revela um quadro infeccioso (respiratório ou gastrointestinal) nas semanas que antecedem o início dos sintomas neurológicos, como no caso apresentado. Os achados clínicos típicos incluem fraqueza muscular (grau III em MMII e IV em MMS no caso, indicando progressão), arreflexia ou hiporreflexia (embora no início possam ser normais, como na questão, o que não exclui o diagnóstico), e ausência de sinais piramidais ou alterações sensitivas importantes (embora parestesias sejam comuns). A progressão da fraqueza e a ausência de sinais de liberação piramidal são cruciais para o diagnóstico diferencial. Para a confirmação diagnóstica, a análise do líquor cefalorraquidiano é fundamental. O achado clássico é a dissociação albumino-citológica, caracterizada por um aumento significativo da concentração de proteínas (hiperproteinorraquia) com uma contagem de células normal ou minimamente elevada. A eletroneuromiografia também é um exame importante, mostrando sinais de desmielinização ou axonal, mas os achados podem ser normais nas fases muito iniciais da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB tipicamente se manifesta com fraqueza muscular progressiva e ascendente, que pode começar nos membros inferiores e progredir para os superiores, muitas vezes acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia.

Qual o achado característico no líquor de pacientes com SGB?

O achado clássico é a dissociação albumino-citológica, onde há um aumento significativo da proteína no líquor (hiperproteinorraquia) com contagem celular normal ou muito baixa.

Qual a importância da história de infecção prévia na SGB?

A SGB é frequentemente desencadeada por uma infecção viral ou bacteriana (ex: Campylobacter jejuni) que precede os sintomas neurológicos em semanas, ativando uma resposta autoimune contra a mielina ou axônios.

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