Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico em Crianças

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 5 anos é levada ao pronto-socorro apresentando fraqueza progressiva e ascendente nas pernas há 3 dias. Durante o exame físico, é observado um déficit motor simétrico nas pernas, com permanência e recuperação rápida dos movimentos quando é aplicado um estimulo doloroso. A criança também apresenta reflexos tendinosos profundos diminuídos. O paciente possui histórico de infecção respiratória alta recente. Diante desses achados clínicos, qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Poliomielite.
  2. B) Mielite transversa.
  3. C) Encefalite viral.
  4. D) Síndrome de Guillain-Barré.

Pérola Clínica

Criança com fraqueza progressiva ascendente + arreflexia + infecção prévia → Síndrome de Guillain-Barré.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e ascendente, geralmente simétrica, associada à arreflexia ou hiporreflexia. Um histórico de infecção (respiratória ou gastrointestinal) nas semanas anteriores é um fator desencadeante comum. A preservação da sensibilidade ao estímulo doloroso, apesar da fraqueza motora, é um achado típico que ajuda a diferenciá-la de outras condições.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma emergência neurológica que se manifesta como uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, sendo a causa mais comum de paralisia flácida aguda em crianças e adultos em países desenvolvidos. Para residentes, é crucial reconhecer rapidamente seus sinais e sintomas, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem impactar significativamente o prognóstico e prevenir complicações graves, como a insuficiência respiratória. A fisiopatologia da SGB envolve uma resposta autoimune desencadeada por uma infecção prévia, onde anticorpos atacam a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. Clinicamente, a SGB é caracterizada por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, que pode variar de leve a grave, culminando em paralisia completa. A arreflexia ou hiporreflexia é um achado cardinal. A presença de uma infecção respiratória ou gastrointestinal recente é um forte indício. A preservação da sensibilidade ao estímulo doloroso, como descrito no caso, é um achado típico que aponta para uma lesão predominantemente motora. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por achados no líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia. O tratamento consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese, que devem ser iniciados o mais precocemente possível. O manejo de suporte, incluindo monitorização respiratória e fisioterapia, é igualmente vital. Residentes devem estar preparados para o manejo de via aérea e ventilação mecânica em casos de progressão para insuficiência respiratória, uma complicação potencialmente fatal da SGB.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Guillain-Barré?

Os critérios diagnósticos incluem fraqueza motora progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, e um curso de doença monofásico. Achados de suporte incluem progressão da fraqueza por dias a semanas, simetria relativa, dor, disfunção autonômica e histórico de infecção prévia.

Qual a relação entre infecções e a Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB é frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) em 1 a 4 semanas antes do início dos sintomas neurológicos. O agente mais comumente associado é o Campylobacter jejuni, mas outras infecções virais, como CMV, EBV e Zika, também podem desencadear a síndrome.

Como diferenciar a Síndrome de Guillain-Barré de outras causas de fraqueza aguda em crianças?

A SGB se diferencia pela fraqueza progressiva ascendente e arreflexia, sem nível sensitivo claro ou disfunção esfincteriana proeminente (que sugeriria mielite transversa). A poliomielite, embora cause fraqueza flácida, é geralmente assimétrica e pode ter febre e mialgia proeminentes no início. A encefalite viral afeta principalmente o SNC, com alterações de consciência e convulsões.

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