HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 24 anos de idade apresentou história de seis dias de fraqueza progressiva dos membros inferiores de forma ascendente e, na manhã de hoje, não consegue andar em razão da paralisia completa dos membros inferiores bilateralmente. Há duas semanas, ela teve um episódio de gastroenterite com diarreia profusa, aquosa, com duração de três dias. Nega comorbidades prévias. Não há histórico familiar positivo para doenças crônicas. Pressão arterial = 84 bpm, frequência respiratória = 18 irpm, temperatura = 36 ºC, saturação de oxigênio = 97% no ar ambiente. Exame neurológico: sem sinais de rigidez do pescoço ou meningismo. Sem envolvimento dos pares cranianos. Força muscular: membros inferiores esquerdo e direito grau 0, membros superiores esquerdo e direito grau 5, arreflexia em membros inferiores e reflexo em membros superiores grau 2. Sensibilidade tátil e dolorosa normal globalmente. No primeiro dia após a admissão, a paciente foi internada na enfermaria neurológica e seus sintomas continuaram a piorar. Começou a alegar diminuição da força em membros superiores bilateralmente. A RM foi sugestiva de realce da raiz nervosa, e a RM de crânio foi normal. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos referentes à provável síndrome de Guillain Barré (SGB), assinale a alternativa correta.
SGB → fraqueza ascendente, arreflexia, desencadeada por infecção (Campylobacter jejuni comum).
A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, frequentemente precedida por infecções, como gastroenterite por Campylobacter jejuni. A apresentação clássica inclui fraqueza muscular progressiva e ascendente com arreflexia, sendo uma emergência neurológica.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, a causa mais comum de paralisia flácida aguda no mundo. Caracteriza-se por uma resposta autoimune desencadeada por uma infecção prévia, que ataca a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. É uma emergência neurológica que exige reconhecimento rápido e manejo adequado para evitar complicações graves, como insuficiência respiratória. A fisiopatologia da SGB envolve mimetismo molecular, onde anticorpos produzidos contra antígenos infecciosos reagem cruzadamente com componentes dos nervos periféricos. O Campylobacter jejuni é o agente mais frequentemente associado, especialmente em variantes axonais. O diagnóstico é clínico, baseado na fraqueza ascendente e arreflexia, e pode ser suportado por exames como líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia (padrão desmielinizante ou axonal). A RM pode mostrar realce das raízes nervosas. O tratamento da SGB visa modular a resposta imune e inclui imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese. Ambas as terapias são eficazes e devem ser iniciadas precocemente, idealmente nas primeiras duas semanas do início dos sintomas. O prognóstico é variável, mas a maioria dos pacientes se recupera, embora alguns possam ter sequelas neurológicas residuais. O suporte respiratório e o manejo de disautonomias são cruciais.
A SGB classicamente se manifesta com fraqueza muscular progressiva e ascendente, geralmente simétrica, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Parestesias e dor neuropática também são comuns.
A SGB é frequentemente precedida por infecções, sendo o Campylobacter jejuni a causa bacteriana mais comum. Outros agentes incluem Mycoplasma pneumoniae, Haemophilus influenzae e vírus como CMV, EBV e HIV.
As terapias de primeira linha para SGB são a imunoglobulina intravenosa (IVIG) e a plasmaférese. Ambas são eficazes em reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, sendo a escolha baseada na disponibilidade e contraindicações.
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