HCanMT - Hospital de Câncer de Mato Grosso — Prova 2015
Durante a visita na UTI, o intensivista responsável pela rotina da unidade examinou um paciente recém-internado em estado grave, intubado em ventilação mecânica devido a quadro neurológico de tetraplegia ascendente flácida de início súbito, arreflexia, apresenta picos hipertensivos e arritmias cardíacas frequentes ao monitor. Segundo sua esposa, seu marido era extremamente saudável, lembra apenas de um quadro febril há cerca de duas semanas, mas sem outras características importantes. O plantonista solicitou tomografia de crânio e coluna com resultados normais. Qual a possível hipótese diagnóstica?
Tetraplegia ascendente flácida + arreflexia + disautonomia + infecção prévia → Síndrome de Guillain-Barré.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda caracterizada por fraqueza muscular ascendente e arreflexia, frequentemente precedida por infecção e podendo cursar com disautonomia grave, exigindo suporte ventilatório.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, de etiologia autoimune, que se manifesta como uma paralisia flácida progressiva. É frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) em 60-70% dos casos, como a infecção por Campylobacter jejuni, que desencadeia uma resposta imune cruzada contra os nervos periféricos. O quadro clínico típico inclui fraqueza muscular ascendente e simétrica, que pode evoluir para tetraplegia, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. A disautonomia é uma complicação grave e comum, manifestando-se por labilidade da pressão arterial (picos hipertensivos e hipotensão), arritmias cardíacas, bradicardia, taquicardia e disfunção gastrointestinal/urinária. A insuficiência respiratória, devido ao comprometimento dos músculos respiratórios, é uma indicação frequente para intubação e ventilação mecânica. O diagnóstico é clínico, suportado por achados de líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia. O tratamento consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese, que podem reduzir a gravidade e a duração da doença. O manejo na UTI é crucial para monitorar e tratar as complicações respiratórias e disautonômicas.
Os critérios diagnósticos incluem fraqueza progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, progressão dos sintomas por dias a 4 semanas, e exclusão de outras causas. Achados de disautonomia e infecção prévia são comuns.
A Síndrome de Guillain-Barré pode afetar os músculos respiratórios e o diafragma, levando à insuficiência respiratória. A monitorização da capacidade vital forçada é crucial para identificar a necessidade de intubação e ventilação mecânica.
A disautonomia é comum na SGB e pode manifestar-se como flutuações da pressão arterial (picos hipertensivos e hipotensão), arritmias cardíacas, bradicardia, taquicardia, retenção urinária e íleo paralítico, sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade.
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