Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2023
A presença de achados na Eletroneuromiográfico (ENMG) de normalidade no início do curso da doença não exclui a hipótese de Síndrome de Guillain-Barré SGB, visto que:
SGB: ENMG pode ser normal no início; alterações são mais evidentes ~2 semanas após fraqueza.
A eletroneuromiografia (ENMG) é crucial para o diagnóstico da SGB, mas suas alterações desmielinizantes podem não ser evidentes nas primeiras semanas. A repetição do exame após 1-2 semanas da instalação dos sintomas pode revelar as alterações típicas, como lentificação da condução e bloqueios.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, autoimune, que afeta o sistema nervoso periférico. Caracteriza-se por fraqueza muscular progressiva e simétrica, geralmente ascendente, e arreflexia. É uma emergência neurológica devido ao risco de insuficiência respiratória e disautonomia, sendo crucial o reconhecimento precoce para iniciar o tratamento e suporte adequado. A incidência varia, mas é a causa mais comum de paralisia flácida aguda no mundo ocidental. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por infecções (especialmente Campylobacter jejuni, Zika, CMV, influenza) que ataca a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. O diagnóstico é clínico, mas a eletroneuromiografia (ENMG) e a análise do líquor (LCR) são exames complementares importantes. A ENMG pode ser normal no início do quadro, pois as alterações desmielinizantes (como lentificação da condução e bloqueios) podem levar até duas semanas para se tornarem evidentes, o que justifica a repetição do exame em casos de alta suspeita clínica. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, sendo as principais modalidades a imunoglobulina intravenosa (IVIg) e a plasmaférese. A escolha depende da disponibilidade e contraindicações. O manejo de suporte é fundamental, incluindo monitoramento respiratório e cardiovascular, prevenção de complicações como trombose venosa profunda e úlceras de pressão, e reabilitação. O prognóstico é variável, com a maioria dos pacientes se recuperando, mas alguns podem ter sequelas neurológicas residuais.
Os primeiros sinais da SGB geralmente incluem fraqueza muscular progressiva e simétrica, que tipicamente começa nas pernas e ascende para os braços e tronco, acompanhada de arreflexia. Pode haver também parestesias e dor.
A ENMG pode ser realizada precocemente, mas é importante saber que pode ser normal nos primeiros dias. As alterações típicas de desmielinização são mais pronunciadas cerca de 2 semanas após o início da fraqueza, sendo útil repetir o exame se a suspeita clínica persistir.
O diagnóstico da SGB é primariamente clínico, baseado na fraqueza progressiva e arreflexia. A ENMG e a análise do líquor (dissociação albuminocitológica) são exames complementares que apoiam o diagnóstico, mas a ausência de achados iniciais não exclui a doença, especialmente se a clínica for sugestiva.
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