Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico Pós-Infecção

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma adolescente com 13 anos de idade é atendida no pronto-socorro por apresentar ""perda de força nas pernas"". Segundo a mãe, a adolescente está doente há mais de um mês na primeira semana da doença, teve febre alta que durou 5 dias, dor de garganta, dores no corpo e cansaço extremo. Ela informa, ainda, que a filha foi diagnosticada com amigdalite, recebeu amoxicilina por 7 dias e que, durante esse tratamento, apresentou manchas vermelhas levemente pruriginosas pelo corpo. A mãe relata também que, após desaparecimento da febre, a adolescente persistiu com desânimo por cerca de 3 semanas e, quando parecia estar se recuperando, começou a queixar-se de dor e formigamento nos pés e pernas, com dificuldade progressiva para caminhar e que, hoje, não havia conseguido levantar-se da cama. Ao exame físico, a paciente apresenta paraparesia simétrica e diminuição de força muscular em membros superiores, reflexos osteotendinosos diminuídos em membros superiores e abolidos nos membros inferiores. Em relação a esse quadro clínico, quais são as principais hipóteses diagnósticas?

Alternativas

  1. A) Dengue; meningite asséptica.
  2. B) Dengue; síndrome de Guillain-Barré.
  3. C) Mononucleose infecciosa; meningite asséptica.
  4. D) Mononucleose infecciosa; síndrome de Guillain-Barré.

Pérola Clínica

SGB pós-infecção (ex: VEB) → paralisia flácida ascendente, arreflexia, disestesia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma infecção viral prévia (mononucleose infecciosa, sugerida pela amigdalite, febre, cansaço e exantema após amoxicilina) seguida por fraqueza muscular progressiva e arreflexia (paraparesia simétrica, ROT abolidos em MI) é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré. A mononucleose é um gatilho comum para SGB.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, a causa mais comum de paralisia flácida aguda em adultos. Sua incidência é de aproximadamente 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano, e é crucial reconhecê-la precocemente devido ao risco de insuficiência respiratória. Geralmente, a SGB é precedida por uma infecção (viral ou bacteriana) em 60-70% dos casos, como infecções por Campylobacter jejuni, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr (mononucleose infecciosa) ou Zika. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra os nervos periféricos, desencadeada por mimetismo molecular entre antígenos microbianos e componentes da mielina ou axônios. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza muscular progressiva e simétrica, que tipicamente começa nos membros inferiores e ascende, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Disestesias e dor neuropática são comuns. O diagnóstico é clínico, suportado por líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, sendo as principais modalidades a imunoglobulina intravenosa (IVIG) e a plasmaférese. O suporte respiratório é fundamental em casos de progressão da fraqueza para os músculos respiratórios. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns pacientes podem ter sequelas neurológicas residuais. A identificação de infecções prévias, como a mononucleose, é um forte indício para a suspeita diagnóstica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB tipicamente se manifesta com fraqueza muscular progressiva e simétrica, que geralmente começa nas pernas e ascende para os braços e tronco, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia e, por vezes, disestesias.

Qual a relação entre mononucleose infecciosa e Síndrome de Guillain-Barré?

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr, é uma das infecções que podem atuar como gatilho para o desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré, devido a uma resposta autoimune pós-infecciosa.

Como diferenciar a Síndrome de Guillain-Barré de outras paralisias agudas?

A diferenciação envolve a história clínica (infecção prévia), padrão de fraqueza (geralmente ascendente e simétrica), presença de arreflexia e achados no líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia (desmielinização).

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