Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Tratamento

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015

Enunciado

Criança de 4 anos, apresenta queixa de perda de força em membros inferiores progressiva nos últimos 10 dias. Ao exame observa-se arreflexia distal e simétrica dos membros inferiores, alteração de marcha com ataxia. O líquer apresenta baixa celularidade, menor que 10 céls/mm³, porém elevação de proteínas. A eletromiografia apresenta padrão desmielinizante. O tratamento adequado desta condição pode compreender, Exceto:

Alternativas

  1. A) Assistência ventilatória.
  2. B) Reabilitação motora.
  3. C) Corticoterapia.
  4. D) Plasmaférese.
  5. E) Imunoglobulina humana.

Pérola Clínica

SGB: Paralisia flácida ascendente + arreflexia + dissociação albumino-citológica no líquor. Tratamento: Plasmaférese ou IgIV, NÃO corticoide.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia. O diagnóstico é suportado pela dissociação albumino-citológica no líquor e padrão desmielinizante na eletroneuromiografia. O tratamento eficaz inclui plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa, mas não corticoterapia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia inflamatória aguda, autoimune, que afeta o sistema nervoso periférico, resultando em fraqueza muscular progressiva e arreflexia. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em crianças e adultos, com uma incidência de 1 a 2 casos por 100.000 pessoas por ano. A SGB é frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal, como por Campylobacter jejuni) ou vacinação, que desencadeia uma resposta imune cruzada contra os nervos periféricos. Clinicamente, a SGB manifesta-se com fraqueza ascendente e simétrica, que pode variar de leve a grave, levando à paralisia completa e insuficiência respiratória. A arreflexia é um achado cardinal. O diagnóstico é primariamente clínico, mas é suportado por exames complementares. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) tipicamente revela dissociação albumino-citológica (aumento de proteínas com celularidade normal ou levemente aumentada) após a primeira semana de sintomas. A eletroneuromiografia (ENMG) mostra um padrão desmielinizante ou axonal, dependendo do subtipo da SGB. O tratamento da SGB é uma emergência médica e visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação. As terapias imunomoduladoras comprovadamente eficazes são a plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa (IgIV), que devem ser iniciadas precocemente. A assistência ventilatória é crucial para pacientes com insuficiência respiratória. A reabilitação motora é fundamental para a recuperação funcional. É importante ressaltar que a corticoterapia não é recomendada, pois estudos não demonstraram benefício e podem até atrasar a recuperação. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes recuperando-se completamente, mas alguns podem ter sequelas neurológicas residuais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Guillain-Barré?

Os critérios incluem fraqueza progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, e exclusão de outras causas. Achados de líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia (padrão desmielinizante) são suportivos.

Por que a corticoterapia não é indicada no tratamento da SGB?

Estudos clínicos randomizados mostraram que os corticosteroides não aceleram a recuperação nem melhoram o prognóstico da SGB, e podem até prolongar o tempo de recuperação em alguns casos, sendo, portanto, contraindicados.

Quando a assistência ventilatória é necessária na SGB?

A assistência ventilatória é indicada quando há comprometimento grave da musculatura respiratória, levando à insuficiência respiratória aguda, o que ocorre em cerca de 20-30% dos pacientes com SGB. A monitorização da função pulmonar é crucial.

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