USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 35 anos de idade, previamente hígido, procura o pronto-socorro. Ele descreve que, há 2 semanas, apresentou febre alta, mialgia e dor retro-orbitária, sendo diagnosticado com dengue. Na semana seguinte, já não se queixava mais desses sintomas, mas surgiu fraqueza pelo corpo. Hoje, conta que tem dificuldade para deambular por fraqueza e formigamento nos membros inferiores, além de fraqueza nos braços. Ao exame neurológico, apresenta força grau 3 nos membros superiores e inferiores, reflexos miotáticos profundos ausentes nos 4 membros, sensibilidade vibratória diminuída distalmente nos membros inferiores e diparesia facial. O exame de líquor revelou um aspecto límpido e incolor, células 1/mm³, proteínas 150 mg/dL, glicose 70 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta as duas complicações frequentes associadas à principal hipótese diagnóstica neste caso.
SGB pós-infecção viral → fraqueza ascendente, arreflexia, dissociação albumino-citológica. Complicações: IR e disautonomia.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda desmielinizante, frequentemente desencadeada por infecções (como a dengue neste caso), caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia. A monitorização de insuficiência respiratória e disautonomia é crucial devido à sua alta frequência e potencial gravidade.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a causa mais comum de paralisia flácida aguda em países desenvolvidos, sendo uma emergência neurológica. Caracteriza-se por uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, frequentemente desencadeada por infecções prévias, como as gastrointestinais (Campylobacter jejuni) ou respiratórias (vírus, como o da dengue, Zika ou COVID-19). A compreensão de sua apresentação clínica e evolução é vital para o diagnóstico precoce e manejo adequado. O diagnóstico da SGB é primariamente clínico, baseado na fraqueza progressiva e arreflexia. Os exames complementares, como a análise do líquor, que revela a clássica dissociação albumino-citológica (aumento de proteínas com poucas células), e a eletroneuromiografia, que mostra desmielinização ou axonalopatia, confirmam a suspeita. A progressão da fraqueza pode levar à insuficiência respiratória e disautonomia, exigindo monitorização em unidade de terapia intensiva. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, sendo as opções principais a imunoglobulina intravenosa (IVIg) e a plasmaférese. O prognóstico varia, com a maioria dos pacientes se recuperando, mas alguns podem apresentar sequelas neurológicas residuais. A identificação e manejo das complicações, especialmente a insuficiência respiratória e a disautonomia, são cruciais para a sobrevida e para minimizar a morbidade a longo prazo.
A SGB tipicamente se manifesta com fraqueza muscular progressiva e simétrica, que geralmente começa nos membros inferiores e ascende, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Pode haver dor neuropática e envolvimento de nervos cranianos, como a diparesia facial.
O achado clássico é a dissociação albumino-citológica, onde há um aumento significativo das proteínas no líquor (geralmente > 50 mg/dL) com uma contagem de células normal ou muito baixa (< 10 células/mm³). Este achado é crucial para o diagnóstico.
As duas complicações mais frequentes e graves são a insuficiência respiratória, que pode exigir ventilação mecânica, e a disautonomia, que pode causar arritmias cardíacas, flutuações da pressão arterial e disfunção gastrointestinal/urinária. Ambas requerem monitorização intensiva.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo