SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Mulher de 30 anos, com história de fraqueza progressiva de membros inferiores há alguns dias, evolui com labilidade da frequência cardíaca, variando entre 80 e 140bpm e pressão arterial oscilando entre 90 x 60mmHg e 130 x 80mmHg. Há história pregressa de infecção de trato respiratório superior há algumas semanas. No exame neurológico, verifica-se tetraparesia flácida mais acentuada em membros inferiores e paresia dos músculos da face. A sensibilidade superficial está preservada e os reflexos profundos estão ausentes. Foi realizada uma punção lombar que revelou 10 células mononucleares/mm³ e 200mg/dL de proteína. O diagnóstico mais provável para o caso é de:
Fraqueza ascendente + arreflexia + disautonomia + infecção prévia + dissociação albumino-citológica LCR → SGB.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, frequentemente precedida por infecção (respiratória ou gastrointestinal), caracterizada por fraqueza muscular progressiva e ascendente, arreflexia e, em casos graves, disautonomia e envolvimento de nervos cranianos.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, autoimune, que afeta o sistema nervoso periférico. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em adultos e é frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) algumas semanas antes do início dos sintomas neurológicos, sendo Campylobacter jejuni um dos gatilhos mais comuns. Clinicamente, a SGB manifesta-se por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, que pode variar de leve a grave, culminando em paralisia. A arreflexia ou hiporreflexia é um achado cardinal. Muitos pacientes também desenvolvem disautonomia, com labilidade da pressão arterial e frequência cardíaca, e podem ter envolvimento de nervos cranianos, como a paresia facial. A sensibilidade superficial pode estar preservada ou ter alterações leves. O diagnóstico é clínico, suportado por achados no líquor (LCR) e eletroneuromiografia. O LCR tipicamente mostra a 'dissociação albumino-citológica', com aumento de proteínas e contagem celular normal ou discretamente elevada. O tratamento visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, utilizando imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese. O suporte respiratório e o manejo da disautonomia são cruciais em casos graves.
Os critérios incluem fraqueza progressiva bilateral e simétrica dos membros, arreflexia ou hiporreflexia, curso monofásico da doença, e ausência de outras causas para a neuropatia. Achados de LCR e eletroneuromiografia são suportivos, mas não mandatórios para o diagnóstico clínico.
A dissociação albumino-citológica é um achado clássico no líquor da SGB, caracterizado por um aumento significativo da proteína (albumina) com uma contagem celular normal ou minimamente elevada (geralmente < 10 células/mm³), refletindo a inflamação da barreira hematoencefálica.
As complicações mais graves incluem insuficiência respiratória (necessitando de ventilação mecânica), disautonomia (com arritmias cardíacas, hipotensão/hipertensão e labilidade da frequência cardíaca), e trombose venosa profunda devido à imobilidade prolongada.
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