Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico, Causas e Manejo

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Menina de 7 anos chega ao pronto atendimento com queixas de fraqueza, mialgia e parestesias em membros inferiores. Relata antecedentes de quadro diarreico há 10 dias, sem sinais de gravidade. Ao exame físico apresenta fraqueza muscular simétrica e arreflexia de membros inferiores. Nervos cranianos sem alterações. Sobre esta situação selecione a opção correta.I – O exame do líquor pode ser normal na primeira semana da doença.II – A infecção original mais provável é o Campylobacter jejuni.III – Os pacientes com progressão lenta poderão simplesmente ser observados quanto à estabilização e remissão espontânea sem tratamento medicamentoso.

Alternativas

  1. A) As afirmativas I e II são verdadeiras. A afirmativa III é falsa.
  2. B) As afirmativas I e III são verdadeiras. A afirmativa II é falsa.
  3. C) As afirmativas II e III são verdadeiras. A afirmativa I é falsa.
  4. D) As afirmativas I, II e III são verdadeiras.
  5. E) As afirmativas I, II e III são falsas.

Pérola Clínica

SGB: Fraqueza ascendente + arreflexia + diarreia prévia (Campylobacter jejuni). Líquor pode ser normal na 1ª semana. Progressão lenta pode ser observada.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, frequentemente precedida por infecção (Campylobacter jejuni é comum). Caracteriza-se por fraqueza muscular ascendente e arreflexia. O líquor pode ser normal na fase inicial, e casos de progressão lenta podem ser monitorados sem tratamento imediato.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, autoimune, que afeta o sistema nervoso periférico. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em países desenvolvidos. Frequentemente, é precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) 1 a 4 semanas antes do início dos sintomas, sendo o *Campylobacter jejuni* o agente etiológico mais comum. A fisiopatologia envolve uma resposta imune cruzada (mimetismo molecular) contra componentes dos nervos periféricos. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza muscular progressiva, simétrica e ascendente, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Parestesias são comuns. O diagnóstico é clínico, mas exames complementares como eletroneuromiografia e análise do líquor auxiliam. A clássica 'dissociação albumino-citológica' (aumento de proteínas com contagem celular normal) no líquor pode não estar presente na primeira semana da doença. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, com imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese. No entanto, pacientes com progressão muito lenta ou sintomas leves podem ser apenas observados, pois a doença pode ter remissão espontânea. O prognóstico varia, com a maioria dos pacientes se recuperando, mas alguns podem ter sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da Síndrome de Guillain-Barré?

Os critérios diagnósticos incluem fraqueza muscular progressiva, simétrica e ascendente, arreflexia ou hiporreflexia, e ausência de outras causas para a neuropatia. A eletroneuromiografia e a análise do líquor (dissociação albumino-citológica) são exames complementares importantes.

Qual a relação entre infecções e a Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB é frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal) 1 a 4 semanas antes do início dos sintomas. O *Campylobacter jejuni* é o agente etiológico mais comum, desencadeando uma resposta autoimune por mimetismo molecular.

Quando o tratamento medicamentoso é indicado na Síndrome de Guillain-Barré?

O tratamento medicamentoso com imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese é indicado para pacientes com progressão rápida da fraqueza, comprometimento respiratório ou incapacidade de deambular. Casos de progressão lenta e sintomas leves podem ser apenas observados.

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