Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Considere o caso clínico a seguir. Criança do sexo masculino, 9 anos de idade, dá entrada em pronto-socorro com queixa de dor nas pernas e perda de força nelas. Relata que, no dia anterior, sentiu um formigamento nos membros inferiores. Mãe relata que há 15 dias paciente teve um quadro de pneumonia atípica tratada com claritromicina, sendo previamente uma criança hígida, sem intercorrências na gestação, parto e desenvolvimento. Ao exame físico, tinha força reduzida globalmente, pior em membros inferiores, ausência de reflexos osteotendíneos, nervos cranianos sem sinais de acometimento e restante de exame sem alterações dignas de nota. Realizado líquor que mostrou uma célula por mm³ , 3 hemácias por mm³, glicose de 75 mg/dL e proteína 120 mg/dL, hemograma e íons sem alterações. Diante do exposto, qual é o diagnóstico mais provável?
SGB = Fraqueza ascendente + arreflexia + antecedente infeccioso + dissociação albumino-citológica no líquor.
A Síndrome de Guillain Barré (SGB) é uma polineuropatia desmielinizante aguda, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia, frequentemente precedida por uma infecção (respiratória ou gastrointestinal). O líquor típico mostra dissociação albumino-citológica, com proteínas elevadas e poucas células.
A Síndrome de Guillain Barré (SGB) é a causa mais comum de paralisia flácida aguda em todo o mundo, sendo uma emergência neurológica. É uma polineuropatia inflamatória aguda, mediada imunologicamente, que afeta os nervos periféricos e as raízes nervosas. A epidemiologia mostra uma incidência de 1-2 casos por 100.000 pessoas por ano, afetando todas as idades, mas com pico em adultos jovens e idosos. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de insuficiência respiratória e disautonomia. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por uma infecção prévia (viral ou bacteriana), onde anticorpos e células T atacam a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Parestesias e dor são comuns. O diagnóstico é clínico, mas é suportado por eletroneuromiografia (que mostra desmielinização ou degeneração axonal) e análise do líquor. O líquor clássico revela a 'dissociação albumino-citológica', com proteínas elevadas e contagem celular normal ou levemente aumentada. O tratamento da SGB visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação, sendo as principais modalidades a imunoglobulina intravenosa (IVIG) e a plasmaférese. Ambas são igualmente eficazes e devem ser iniciadas precocemente. O suporte respiratório é fundamental em casos de fraqueza grave dos músculos respiratórios. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes se recuperando totalmente, mas alguns podem ter sequelas neurológicas residuais. A monitorização da função respiratória e cardíaca é essencial durante a fase aguda.
Os principais achados clínicos da Síndrome de Guillain Barré incluem fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, que pode variar de leve a paralisia completa. A arreflexia ou hiporreflexia é um sinal cardinal, e pode haver parestesias ou dor. Disfunção autonômica e envolvimento de nervos cranianos também são comuns.
A dissociação albumino-citológica é um achado clássico no líquor de pacientes com SGB, caracterizada por níveis elevados de proteína (albumina) com uma contagem celular normal ou minimamente aumentada (geralmente <10 células/mm³). Isso reflete a inflamação e o dano à barreira hematoencefálica sem uma resposta inflamatória celular significativa no SNC.
A SGB é frequentemente precedida por uma infecção, que pode ser respiratória (como a pneumonia atípica mencionada) ou gastrointestinal (especialmente por Campylobacter jejuni). Acredita-se que a infecção desencadeie uma resposta autoimune que ataca a mielina ou os axônios dos nervos periféricos, por mimetismo molecular.
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