Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Fisiopatologia

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023

Enunciado

Em relação à Síndrome de Guillain-Barré, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Na maioria dos pacientes, os sintomas iniciam alguns dias após uma infecção viral, como zikavírus, vírus entéricos ou Covid-19.
  2. B) As mulheres são mais acometidas do que os homens.
  3. C) O diagnóstico é feito baseado na análise do líquor, em que há um aumento na celularidade com redução no nível de proteínas.
  4. D) O tratamento pode ser feito com plasmaférese, imunoglobulina intravenosa ou glicocorticoides em altas doses, todos com boa resposta na melhora dos sintomas, mesmo sendo utilizados isoladamente.

Pérola Clínica

SGB → Início dos sintomas dias após infecção viral (Zika, entéricos, COVID-19); líquor com dissociação albumino-citológica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, frequentemente precedida por infecções virais ou bacterianas (ex: Campylobacter jejuni, Zika, COVID-19). O diagnóstico é clínico, com suporte laboratorial pela análise do líquor, que tipicamente mostra aumento de proteínas com celularidade normal (dissociação albumino-citológica).

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia, que geralmente se inicia nas extremidades inferiores e ascende. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda em países desenvolvidos. A SGB é uma doença autoimune desencadeada, na maioria dos casos, por uma infecção anterior, como infecções respiratórias ou gastrointestinais, incluindo Campylobacter jejuni, citomegalovírus, Zika vírus e, mais recentemente, o vírus SARS-CoV-2. O diagnóstico da SGB é primariamente clínico, baseado na apresentação dos sintomas e na progressão da fraqueza. O exame do líquor cefalorraquidiano (LCR) é um pilar diagnóstico importante, revelando a clássica 'dissociação albumino-citológica', onde há um aumento significativo da concentração de proteínas (hiperproteinorraquia) com uma contagem de células normal ou apenas levemente elevada. Estudos de condução nervosa (eletroneuromiografia) também são cruciais para confirmar a desmielinização e auxiliar na classificação do subtipo. O tratamento da SGB é uma emergência neurológica e visa reduzir a gravidade e acelerar a recuperação. As opções terapêuticas incluem plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa (IVIG), ambas eficazes em diminuir a duração e a gravidade da doença. É importante notar que os glicocorticoides não demonstraram benefício na SGB e não são recomendados. O manejo de suporte, incluindo monitoramento respiratório e cardiovascular, é vital, especialmente em casos de progressão rápida ou envolvimento bulbar.

Perguntas Frequentes

Quais infecções podem preceder a Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB é frequentemente precedida por infecções como Campylobacter jejuni, citomegalovírus (CMV), vírus Epstein-Barr (EBV), Zika vírus e, mais recentemente, SARS-CoV-2 (COVID-19), que desencadeiam uma resposta autoimune.

Como é o achado típico no líquor de pacientes com SGB?

O achado clássico é a dissociação albumino-citológica, caracterizada por um aumento significativo dos níveis de proteína no líquor (hiperproteinorraquia) com contagem de células normal ou minimamente elevada.

Qual o tratamento para a Síndrome de Guillain-Barré?

O tratamento da SGB visa modular a resposta autoimune e inclui plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa (IVIG). Glicocorticoides não são eficazes e não são recomendados como tratamento isolado.

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