Síndrome de Guillain-Barré Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma menina de quatro anos de idade, previamente hígida, foi levada ao atendimento com queixa de dor nas pernas há dois dias, evoluindo com dificuldade para se levantar há um dia. Sua mãe refere quadro de infecção de vias aéreas superiores há uma semana, resolvido sem necessidade de uso de antibiótico, e episódio de queda da cama. Nega febre, vômitos ou diarreia. Ao exame, apresentou dificuldade na marcha, força muscular grau III em membros inferiores, com reflexos tendinosos profundos, hipoativos, nesse local, desvio de rima para a direita, com certa dificuldade de deglutição, e sinais vitais normais. Foi coletado o liquor, com celularidade de 4 mm³, proteína 118 mg/dL e glicorraquia 59 mg/dL. Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que o diagnóstico mais provável é o de

Alternativas

  1. A) encefalomielite difusa aguda (ADEM).
  2. B) acidente vascular cerebral.
  3. C) meningite viral complicada.
  4. D) paralisia espástica infantil.
  5. E) polineuropatia inflamatória aguda.

Pérola Clínica

Fraqueza ascendente + arreflexia + infecção prévia + líquor com dissociação albuminocitológica → Síndrome de Guillain-Barré.

Resumo-Chave

A Síndrome de Guillain-Barré é uma polineuropatia inflamatória aguda desmielinizante, frequentemente precedida por infecção (respiratória ou gastrointestinal), caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia, com achados típicos no líquor.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a causa mais comum de paralisia flácida aguda em crianças e adultos, sendo uma polineuropatia inflamatória aguda desmielinizante. Sua incidência é de aproximadamente 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano. É crucial para residentes reconhecerem essa condição devido ao risco de insuficiência respiratória. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por uma infecção prévia (frequentemente Campylobacter jejuni, CMV, EBV ou influenza), onde anticorpos atacam a mielina ou axônios dos nervos periféricos. O diagnóstico é clínico, baseado na fraqueza ascendente, arreflexia e disfunção autonômica. O líquor tipicamente mostra dissociação albuminocitológica (proteína elevada com celularidade normal). O tratamento consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese, que devem ser iniciados precocemente. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns pacientes podem ter sequelas motoras residuais. O monitoramento rigoroso da função respiratória é fundamental, pois a insuficiência respiratória é a principal causa de morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Síndrome de Guillain-Barré em crianças?

Os critérios incluem fraqueza muscular progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, e geralmente uma infecção precedente. Achados de dissociação albuminocitológica no líquor e anormalidades na eletroneuromiografia apoiam o diagnóstico.

O que significa "dissociação albuminocitológica" no líquor?

Refere-se a um aumento significativo da proteína no líquor (hiperproteinorraquia) com uma contagem de células normal ou minimamente elevada. É um achado clássico, mas não patognomônico, da Síndrome de Guillain-Barré.

Quais são as complicações mais graves da Síndrome de Guillain-Barré?

As complicações mais graves incluem insuficiência respiratória (necessitando de ventilação mecânica), disautonomia (arritmias, hipotensão/hipertensão) e disfagia, que pode levar à aspiração.

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