Síndrome de Guillain-Barré Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Antonio, 5 anos foi levado ao serviço de emergência pediátrico com queixa de dor nas pernas há 3 dias, evoluindo com dificuldade para se levantar há um dia. Sua mãe refere quadro de infecção de vias aéreas superiores há 8 dias, resolvido sem necessidade de uso de antibiótico, e episódio de queda da cama. Nega febre, vômitos ou diarreia. Ao exame, apresentou dificuldade na marcha, força muscular grau III em membros inferiores, com reflexos tendinosos profundos, hipoativos, nos mesmos membros, desvio de rima para a direita, com certa dificuldade de deglutição, e sinais vitais normais. Foi coletado o liquor, com celularidade de 4 mm³, proteína 118 mg/dL e glicorraquia 59 mg/dL. Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que o diagnóstico mais provável é o de

Alternativas

  1. A) encefalomielite difusa aguda (ADEM.
  2. B) polineuropatia inflamatória aguda.
  3. C) acidente vascular cerebral.
  4. D) meningite viral complicada.
  5. E) paralisia espástica infantil.

Pérola Clínica

SGB = Fraqueza muscular ascendente + arreflexia/hiporreflexia + infecção prévia + dissociação albumino-citológica no líquor.

Resumo-Chave

O quadro clínico de Antonio (fraqueza muscular ascendente, hiporreflexia, disfunção de nervos cranianos e infecção de vias aéreas superiores prévia) associado à dissociação albumino-citológica no líquor (proteína alta com celularidade normal) é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineuropatia inflamatória aguda desmielinizante, considerada a causa mais comum de paralisia flácida aguda em crianças e adultos. Sua importância clínica reside na rápida progressão e no potencial de comprometimento respiratório, exigindo reconhecimento e intervenção urgentes. A doença é autoimune, desencadeada por uma infecção prévia, onde o sistema imune ataca a mielina ou os axônios dos nervos periféricos. O diagnóstico da SGB é primariamente clínico, baseado na história de fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Sintomas como dor, parestesias e disfunção de nervos cranianos (ex: paralisia facial, disfagia) são comuns. O líquor cefalorraquidiano tipicamente revela a "dissociação albumino-citológica", caracterizada por proteínas elevadas com contagem de células normal ou minimamente aumentada, embora este achado possa demorar alguns dias para se manifestar. O tratamento da SGB visa modular a resposta imune e oferecer suporte. As terapias específicas incluem imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese, que devem ser iniciadas precocemente para reduzir a gravidade e acelerar a recuperação. O manejo envolve monitoramento rigoroso da função respiratória e cardíaca, além de fisioterapia para prevenir complicações e auxiliar na reabilitação. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns pacientes podem ter sequelas neurológicas residuais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Guillain-Barré em crianças?

Os sintomas clássicos incluem fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente (começando nas pernas e subindo), acompanhada de dor e parestesias. Pode haver também hiporreflexia ou arreflexia e, em casos mais graves, comprometimento de nervos cranianos e insuficiência respiratória.

O que é a dissociação albumino-citológica no líquor e sua importância na SGB?

A dissociação albumino-citológica é um achado característico no líquor de pacientes com SGB, onde há um aumento significativo da concentração de proteínas (albumina) com uma celularidade normal ou levemente elevada. Isso reflete a inflamação e desmielinização dos nervos periféricos sem uma resposta inflamatória celular intensa no SNC.

Qual a relação entre infecções e o desenvolvimento da SGB?

A Síndrome de Guillain-Barré é frequentemente precedida por uma infecção, geralmente viral (como infecções respiratórias ou gastrointestinais) ou bacteriana (como Campylobacter jejuni). Acredita-se que a SGB seja uma doença autoimune desencadeada por uma resposta imunológica cruzada contra componentes do sistema nervoso periférico.

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