Síndrome de Gradenigo: Diagnóstico e Complicações

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 38 anos, com diabete melito, apresenta dor subaguda e progressiva no ouvido direito com redução da audição e que dura mais de uma semana. Nos últimos 2 dias, evolui com diplopia. O exame geral mostra que a paciente está febril e com membrana timpânica direita turva. O exame neurológico mostra paralisia do sexto nervo craniano direito. A causa mais provável da apresentação da paciente é:

Alternativas

  1. A) mastoidite aguda com abscesso cerebral.
  2. B) meningite bacteriana.
  3. C) mucormicose do seio cavernoso.
  4. D) síndrome de Gradenigo.
  5. E) trombose venosa central.

Pérola Clínica

Otite + dor retro-orbital + paralisia VI nervo (diplopia) + febre = Síndrome de Gradenigo.

Resumo-Chave

A Síndrome de Gradenigo é uma complicação rara da otite média aguda ou crônica, caracterizada pela tríade de otite, dor retro-orbital (devido à irritação do nervo trigêmeo) e paralisia do VI nervo craniano (causando diplopia). A presença de diabetes melito aumenta o risco de infecções graves e suas complicações, como a osteomielite da base do crânio, que pode levar a essa síndrome.

Contexto Educacional

A Síndrome de Gradenigo é uma complicação rara, mas grave, da otite média aguda ou crônica, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com condições que favorecem infecções, como o diabetes melito. É crucial para o médico reconhecer essa síndrome devido ao seu potencial de morbidade significativa se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a extensão da infecção do ouvido médio para o ápice petroso do osso temporal (petrosite apical). Essa região anatômica é complexa e abriga estruturas nervosas importantes, como o nervo abducente (VI par craniano) e o gânglio de Gasser do nervo trigêmeo (V par craniano). A inflamação e o edema nessa área levam à compressão e disfunção desses nervos, resultando na tríade clássica: otite, dor retro-orbital/facial e paralisia do VI nervo craniano (diplopia). O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sintomas, e confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética da base do crânio, que podem mostrar sinais de petrosite. O tratamento é agressivo, com antibioticoterapia de amplo espectro por via intravenosa e, em alguns casos, intervenção cirúrgica para drenagem do abscesso ou desbridamento ósseo. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da tríade clássica da Síndrome de Gradenigo?

A Síndrome de Gradenigo é caracterizada pela tríade de otite média (com dor no ouvido), dor retro-orbital ou facial (devido ao envolvimento do nervo trigêmeo) e paralisia do sexto nervo craniano (abducente), que causa diplopia.

Qual a fisiopatologia da Síndrome de Gradenigo?

A síndrome ocorre devido à inflamação e infecção (petrosite apical) que se estendem do ouvido médio para o ápice da porção petrosa do osso temporal. Essa região abriga o nervo abducente (VI) e o gânglio de Gasser do nervo trigêmeo (V), que são afetados pela inflamação.

Como é o tratamento da Síndrome de Gradenigo?

O tratamento envolve antibioticoterapia intravenosa agressiva para controlar a infecção e, em alguns casos, drenagem cirúrgica do ápice petroso. A condição subjacente (otite média) também deve ser tratada adequadamente. O controle da diabetes é crucial para o sucesso do tratamento.

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