IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Manuela, 64 anos, procura atendimento ginecológico com queixa de perda urinária aos grandes esforços, ressecamento vaginal e dispareunia superficial. Exame ginecológico com vulva hipotrófica e vagina com mucosa fina, com perda do pregueamento e com pouco conteúdo vaginal. Ausência de útero. Qual o melhor tratamento para Manoela?
Atrofia vulvovaginal (SGUM) pós-menopausa com sintomas locais → Estrogênio vaginal é o tratamento de primeira linha.
A paciente apresenta sintomas e sinais clássicos da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGUM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal. A perda urinária aos grandes esforços também pode ser agravada pela atrofia. O tratamento de escolha para sintomas locais é o estrogênio vaginal, que age diretamente na mucosa sem efeitos sistêmicos significativos.
A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGUM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres pós-menopausa. É causada pela deficiência de estrogênio, resultando em alterações atróficas nos lábios, clitóris, vestíbulo, vagina, uretra e bexiga. A importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida, causando sintomas como ressecamento vaginal, prurido, queimação, dispareunia, urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes. A fisiopatologia envolve a diminuição da vascularização, elasticidade e lubrificação da mucosa vaginal, além da redução do glicogênio e alteração do pH vaginal, favorecendo o crescimento de patógenos. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e achados do exame ginecológico, que revela mucosas pálidas, finas, secas, com perda de pregueamento e hipotrofia vulvar. A ausência de útero na paciente não altera o manejo da atrofia vulvovaginal. O tratamento de primeira linha para os sintomas locais da SGUM é o estrogênio vaginal em baixas doses (cremes, anéis ou comprimidos vaginais). Este método oferece alívio eficaz dos sintomas com absorção sistêmica mínima, tornando-o seguro para a maioria das mulheres, incluindo aquelas com contraindicações à terapia hormonal sistêmica. Outras opções incluem lubrificantes e hidratantes vaginais não hormonais para sintomas leves.
Os sintomas incluem ressecamento vaginal, prurido, queimação, dispareunia (dor na relação sexual), urgência urinária, disúria e infecções do trato urinário recorrentes, todos relacionados à deficiência estrogênica.
O estrogênio vaginal é o tratamento de primeira linha porque atua diretamente na mucosa vulvovaginal e urogenital, revertendo as alterações atróficas com absorção sistêmica mínima, o que resulta em alta eficácia e baixo risco de efeitos adversos sistêmicos.
O estrogênio vaginal é aplicado localmente em baixas doses, com absorção sistêmica mínima, sendo indicado para sintomas geniturinários. A terapia hormonal sistêmica (oral, transdérmica) tem absorção sistêmica significativa e é usada para sintomas vasomotores (fogachos) e prevenção de osteoporose, com riscos e benefícios diferentes.
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