Atrofia Vaginal na Menopausa: Tratamento com Estrogênio Local

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 59 anos, menopausa aos 53 anos, apresenta dor a relação sexual, ressecamento e ardência vaginal. Refere ondas de calor esporadicamente que não incomodam mais. Refere hipertrigliceridemia em tratamento. Mamografia BIRADS II. A conduta é

Alternativas

  1. A) terapia estrogênica isolada transdérmica.
  2. B) terapia estrogênica via vaginal.
  3. C) terapia hormonal estroprogestativa oral.
  4. D) lubrificante vaginal.

Pérola Clínica

Sintomas vaginais isolados na menopausa, sem ondas de calor incômodas e com contraindicações sistêmicas → Estrogênio vaginal é a melhor conduta.

Resumo-Chave

Para sintomas de atrofia vaginal (dor, ressecamento, ardência) em mulheres pós-menopausa, especialmente com contraindicações para terapia hormonal sistêmica, o estrogênio vaginal em baixa dose é a opção mais segura e eficaz, agindo localmente.

Contexto Educacional

A menopausa é um período de transição na vida da mulher, marcado pela cessação da menstruação e pela diminuição da produção hormonal ovariana, principalmente estrogênio. A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres pós-menopausa. Sua importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida e na função sexual. A fisiopatologia da SGM está diretamente ligada à deficiência estrogênica, que leva ao afinamento e ressecamento da mucosa vaginal, perda de elasticidade e diminuição da vascularização. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas referidos pela paciente, como dor na relação sexual (dispareunia), ressecamento e ardência vaginal. A paciente da questão apresenta hipertrigliceridemia, que é uma preocupação para terapia sistêmica. O tratamento da SGM deve ser individualizado. Para sintomas predominantemente vaginais e ausência de sintomas vasomotores incômodos, a terapia estrogênica via vaginal é a conduta de escolha. Ela atua localmente, restaurando a saúde do tecido vaginal com absorção sistêmica mínima, o que a torna segura mesmo em pacientes com algumas contraindicações para a terapia sistêmica. Lubrificantes e hidratantes vaginais também são opções não hormonais, mas o estrogênio local é mais eficaz para reverter as alterações atróficas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM)?

Os sintomas incluem ressecamento vaginal, ardência, irritação, dispareunia (dor na relação sexual), urgência urinária, disúria e infecções do trato urinário recorrentes, impactando a qualidade de vida.

Por que a terapia estrogênica vaginal é preferível à sistêmica para sintomas vaginais isolados?

A terapia vaginal age localmente, aliviando os sintomas com mínima absorção sistêmica, o que reduz os riscos associados à terapia hormonal sistêmica, como trombose, câncer de mama ou efeitos sobre triglicerídeos.

Quais são as contraindicações para a terapia hormonal sistêmica na menopausa?

Contraindicações incluem câncer de mama ou endométrio, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave, sangramento vaginal não diagnosticado e, em alguns casos, hipertrigliceridemia grave ou não controlada.

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