HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Mulher, 55 anos, consulta na Unidade Básica de Saúde com queixa de ressecamento vaginal, ardência na relação sexual e urgência miccional. Relata que inicialmente apresentou fogachos noturnos, mas não os tem mais percebido. Refere que sua última menstruação foi há 15 meses. Ao exame físico: vulva com rarefação dos pelos, vagina sem rugosidades e friável. O exame a fresco da secreção vaginal evidenciou raros bacilos de Dõederlein e algumas células de aspecto habitual. Traz exames realizados recentemente: citopatológico ginecológico negativo para células malignas e representativo da junção escamo colunar; mamografia apresentando achados benignos (BIRADS-2); e urocultura com ausência de crescimento bacteriano. Em relação ao caso, afirma-se:I. A hipótese diagnóstica mais provável é a síndrome geniturinária da menopausa.II. Deve-se informar a paciente que os sintomas vasomotores geralmente melhoram com o tempo, mas os sintomas geniturinários costumam piorar na ausência de tratamento.III. Para controle dos sintomas relatados, o uso de creme vaginal de estrogênio é preferível em relação ao uso de terapia hormonal sistémica. Estão corretas as afirmativas
Mulher pós-menopausa com sintomas geniturinários e exame físico compatível → Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), tratada preferencialmente com estrogênio vaginal.
A paciente apresenta sintomas clássicos de Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), como ressecamento vaginal, dispareunia e urgência miccional, após 15 meses de amenorreia (pós-menopausa). Os achados do exame físico e a ausência de outras causas confirmam o diagnóstico. É crucial diferenciar a evolução dos sintomas vasomotores (que tendem a melhorar) dos geniturinários (que pioram sem tratamento). O estrogênio vaginal é a primeira linha para SGM isolada.
A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres na pós-menopausa. Caracteriza-se por uma série de sintomas genitais (ressecamento, ardência, prurido, dispareunia), urinários (urgência, disúria, infecções recorrentes) e sexuais, decorrentes da deficiência estrogênica. A compreensão e o manejo adequado da SGM são cruciais para a qualidade de vida das pacientes. O diagnóstico da SGM é clínico, baseado na história e no exame físico. A paciente em questão, com 55 anos e amenorreia há 15 meses, apresenta sintomas típicos e achados ao exame físico (vulva com rarefação dos pelos, vagina sem rugosidades e friável) que corroboram a hipótese. É importante ressaltar que, enquanto os sintomas vasomotores (fogachos) tendem a melhorar com o tempo, os sintomas geniturinários, se não tratados, geralmente pioram devido à progressão da atrofia tecidual. O tratamento de primeira linha para a SGM, especialmente quando os sintomas são predominantemente geniturinários e não há indicação para terapia hormonal sistêmica, é o estrogênio vaginal em baixas doses. A aplicação local permite o alívio dos sintomas com mínima absorção sistêmica, reduzindo os riscos associados à terapia hormonal sistêmica. Outras opções incluem hidratantes e lubrificantes vaginais não hormonais.
Os principais sintomas da SGM incluem ressecamento vaginal, ardência, prurido, dispareunia (dor na relação sexual), urgência miccional, disúria e infecções urinárias recorrentes.
O estrogênio vaginal atua localmente, aliviando os sintomas geniturinários com mínima absorção sistêmica, o que reduz os riscos associados à terapia hormonal sistêmica, sendo a primeira escolha para SGM isolada.
O exame físico pode revelar sinais como rarefação dos pelos pubianos, atrofia dos grandes e pequenos lábios, palidez e perda das rugosidades vaginais, friabilidade da mucosa e diminuição da elasticidade.
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