USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 55 anos, queixa-se de sensação de ardência genital, dor à relação sexual e corrimento contínuo, em pequena quantidade, amarelado e com odor desagradável. Refere menopausa aos 50 anos, diabetes controlada com dapaglifozina. Ao exame clínico, apresenta vulva com pouca pilificação, menor elasticidade da pele, pequenas fissuras e petéquias em fúrcula; especular com vagina de menor rugosidade e conteúdo fluido, amarelado em pequena quantidade. Colo epitelzado e apagado. O exame do conteúdo vaginal apresenta pH 5,0, teste de aminas negativo, presença de células para-basais e leucócitos. Assinale qual é o tratamento mais adequado.
Vaginite atrófica pós-menopausa com pH > 4,5 e células parabasais → tratamento com estrogênio vaginal.
A paciente apresenta sintomas clássicos de síndrome geniturinária da menopausa (GSM), anteriormente conhecida como vaginite atrófica, devido à deficiência estrogênica pós-menopausa. O exame clínico e laboratorial (pH vaginal elevado, células parabasais) corrobora o diagnóstico. O tratamento de escolha é a terapia de reposição estrogênica local (estradiol vaginal) para restaurar a saúde do epitélio vaginal.
A Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM), anteriormente conhecida como vaginite atrófica, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres pós-menopausa. Ela resulta da deficiência estrogênica, que leva à atrofia dos tecidos vulvares, vaginais, uretrais e da bexiga. Os sintomas incluem secura vaginal, ardência, prurido, dispareunia, urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico que revela palidez, ressecamento, perda de rugosidade vaginal, fissuras e petéquias. O pH vaginal geralmente está elevado (>4,5) e a microscopia pode mostrar aumento de células parabasais e diminuição de lactobacilos. É crucial diferenciar a GSM de infecções vaginais, que teriam outros achados laboratoriais. O tratamento de primeira linha para a GSM é a terapia de reposição estrogênica local, utilizando cremes, anéis ou comprimidos vaginais de estradiol. Essa abordagem repõe o estrogênio diretamente nos tecidos afetados, restaurando a saúde do epitélio e aliviando os sintomas com mínima absorção sistêmica, sendo segura para a maioria das pacientes, inclusive aquelas com diabetes controlada.
Os sintomas incluem secura vaginal, ardência, prurido, dispareunia (dor à relação sexual), urgência urinária, disúria e infecções do trato urinário recorrentes, todos relacionados à atrofia dos tecidos urogenitais por deficiência estrogênica.
O estradiol vaginal repõe o estrogênio diretamente nos tecidos vulvovaginais, restaurando a espessura, elasticidade e vascularização do epitélio, aliviando os sintomas de atrofia. A absorção sistêmica é mínima, tornando-o seguro mesmo em pacientes com contraindicações à terapia hormonal sistêmica.
A diferenciação se baseia no histórico (menopausa, deficiência estrogênica), exame físico (atrofia vulvovaginal), pH vaginal elevado (>4,5) e microscopia do conteúdo vaginal (presença de células parabasais, ausência de elementos infecciosos como hifas ou clue cells, teste de aminas negativo).
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