Tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa: Condutas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 63 anos de idade, refere secura vaginal intensa, que piorou progressivamente nos últimos anos. O desconforto tem prejudicado sua vida sexual, e não teve melhora com o uso de lubrificantes. Realizou avaliação ginecológica recente sem alterações. Refere ter usado tibolona dos 50 aos 58 anos de idade. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Laserterapia vulvar de baixa potência.
  2. B) Estrogenioterapia vaginal com estriol.
  3. C) Retornar a tibolona em baixa dose.
  4. D) Terapia estroprogestativa transdérmica.

Pérola Clínica

GSM refratária a lubrificantes → Estrogenioterapia vaginal (estriol/promestrieno) é o padrão-ouro.

Resumo-Chave

A síndrome geniturinária da menopausa decorre do hipoestrogenismo. Quando lubrificantes falham, o tratamento de escolha é o estrogênio tópico, que restaura o trofismo sem absorção sistêmica significativa.

Contexto Educacional

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) engloba sinais e sintomas decorrentes da deficiência estrogênica nos tecidos urogenitais, incluindo secura, queimação, irritação e sintomas urinários como urgência. Diferente dos sintomas vasomotores (fogachos), que podem melhorar com o tempo, a SGM tende a progredir se não tratada. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico que revela mucosa pálida, friável e perda das rugosidades vaginais. O tratamento inicial envolve hidratantes de longa duração e lubrificantes para o coito, mas a estrogenioterapia vaginal é a intervenção mais eficaz para reverter as alterações citológicas e fisiológicas. O estriol é um estrogênio de baixa potência com afinidade seletiva, ideal para uso tópico, pois promove a proliferação do epitélio vaginal sem induzir proliferação endometrial significativa nas doses recomendadas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre lubrificantes e estrogênio tópico?

Lubrificantes oferecem alívio temporário do atrito durante o coito, mas não tratam a causa base fisiológica. O estrogênio tópico (estriol ou promestrieno) atua diretamente nos receptores vaginais, restaurando a espessura do epitélio, a vascularização, a umidade e a acidez vaginal, tratando a atrofia de forma duradoura e melhorando a saúde do tecido a longo prazo.

Há contraindicação sistêmica para o uso de estriol vaginal?

Diferente da terapia hormonal sistêmica, o estriol vaginal em doses baixas apresenta absorção sistêmica mínima. Na maioria das pacientes, não requer oposição de progestagênio para proteção endometrial, sendo seguro mesmo em pacientes com contraindicações relativas à TH sistêmica, embora exija cautela e discussão individualizada em sobreviventes de câncer de mama responsivo a hormônios.

Quando considerar a laserterapia na atrofia vaginal?

A laserterapia (CO2 ou Erbium) é considerada uma alternativa de segunda linha para pacientes que possuem contraindicação absoluta ao uso de qualquer hormônio (como câncer de mama ativo ou recente) ou que não desejam utilizar cremes e óvulos vaginais. No entanto, para a maioria das pacientes, a estrogenioterapia tópica permanece como a primeira escolha devido ao custo-benefício e evidência robusta.

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