Síndrome Geniturinária da Menopausa: TH Vaginal e Segurança

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 51 anos queixa-se de diminuição da lubrificação e ardência vaginal no ato sexual há 2 anos. No último ano, sente-se mais triste, sozinha e “esquecida” para atividades do dia a dia. AP: DUM há 1 ano e 6 meses, HAS, tabagista. AF: mãe falecida por câncer de mama. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Terapia hormonal (TH) sistêmica está indicada para melhora dos sintomas vaginais e sistêmicos.
  2. B) Há contraindicação absoluta ao uso de TH sistêmica.
  3. C) Terapia não hormonal com antidepressivos é a opção mais segura para o alívio dos sintomas climatéricos.
  4. D) TH vaginal está indicada para alívio dos sintomas vaginais.

Pérola Clínica

Sintomas vaginais pós-menopausa com contraindicações à TH sistêmica → TH vaginal (estrogênio tópico) é segura e eficaz.

Resumo-Chave

Em mulheres pós-menopausa com sintomas de atrofia vaginal (Síndrome Geniturinária da Menopausa) e contraindicações para terapia hormonal sistêmica (como histórico familiar de câncer de mama, tabagismo, HAS), a terapia hormonal vaginal com estrogênio tópico é a opção mais segura e eficaz para alívio dos sintomas locais, devido à sua baixa absorção sistêmica.

Contexto Educacional

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres na pós-menopausa. Caracteriza-se por alterações na vulva, vagina, uretra e bexiga devido à deficiência estrogênica, resultando em sintomas como secura vaginal, ardência, dispareunia, prurido, disúria e urgência urinária. A prevalência aumenta com a idade e impacta significativamente a qualidade de vida e a saúde sexual das mulheres. O diagnóstico da SGM é clínico, baseado na história e exame físico que revela palidez, ressecamento e perda da elasticidade da mucosa vaginal, além de redução das pregas vaginais. A fisiopatologia está diretamente ligada à diminuição dos níveis de estrogênio, que leva ao afinamento do epitélio vaginal, redução do fluxo sanguíneo local e diminuição da produção de glicogênio, alterando o pH vaginal e a flora bacteriana. É crucial diferenciar esses sintomas de outras condições como infecções ou dermatoses. O tratamento de primeira linha para a SGM é a terapia hormonal vaginal com estrogênio tópico (cremes, anéis ou comprimidos vaginais), que restaura a saúde do epitélio vaginal com absorção sistêmica mínima, tornando-a segura para a maioria das mulheres, inclusive aquelas com contraindicações à terapia hormonal sistêmica (THS), como histórico de câncer de mama ou doença tromboembólica. Outras opções incluem hidratantes e lubrificantes vaginais não hormonais. A escolha da terapia deve ser individualizada, considerando os sintomas, preferências da paciente e riscos associados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM)?

A SGM engloba sintomas como secura vaginal, ardência, dispareunia (dor ao coito), prurido, disúria e urgência urinária, resultantes da deficiência estrogênica pós-menopausa.

Quando a terapia hormonal vaginal é preferível à terapia hormonal sistêmica?

A TH vaginal é preferível quando os sintomas são predominantemente geniturinários e há contraindicações ou preocupações com a TH sistêmica, como histórico de câncer de mama, doença tromboembólica, tabagismo ou hipertensão não controlada.

A terapia hormonal vaginal com estrogênio é segura em pacientes com histórico familiar de câncer de mama?

Sim, a terapia hormonal vaginal com baixas doses de estrogênio é considerada segura em pacientes com histórico familiar de câncer de mama, pois a absorção sistêmica é mínima, não elevando significativamente os níveis séricos de estrogênio.

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