Síndrome Geniturinária da Menopausa: Diagnóstico e Conduta

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 60 anos, relata a ocorrência de cinco episódios de cistite não complicada no último ano. Refere ardor vaginal, desconforto vulvar e dispareunia. Menopausa aos 50 anos, sem uso de terapia hormonal. Nega fogachos ou outros sintomas. Nega doenças crônicas ou uso de medicamentos. Exame físico sem alterações, exame ginecológico evidencia parede vaginal fina, hipocorada, atrófica, sem secreções. O diagnóstico e a conduta adequada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Síndrome geniturinária da menopausa – estrogênio tópico.
  2. B) Atrofia urogenital – lubrificante vaginal.
  3. C) Síndrome geniturinária da menopausa – estradiol e progestogênio sistêmicos.
  4. D) Atrofia urogenital – estradiol sistêmico.
  5. E) Síndrome geniturinária da menopausa – estradiol oral.

Pérola Clínica

Atrofia vaginal + ITU de repetição → Síndrome Geniturinária da Menopausa → Estrogênio tópico.

Resumo-Chave

A queda estrogênica no climatério altera o pH vaginal e a microbiota, predispondo a infecções urinárias recorrentes e sintomas de atrofia, sendo o tratamento de escolha o estrogênio local.

Contexto Educacional

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) é uma condição crônica e progressiva que afeta a vulva, vagina e trato urinário inferior devido ao hipoestrogenismo. Diferente dos sintomas vasomotores, a SGM raramente melhora sem tratamento específico. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como secura, ardor e dispareunia, associados a sinais físicos de atrofia. O tratamento padrão-ouro para casos moderados a graves ou com repercussões urinárias é o estrogênio tópico (cremes, anéis ou tabletes). Essa via é preferível à sistêmica quando o objetivo é tratar apenas sintomas locais, pois minimiza riscos tromboembólicos e efeitos em outros tecidos, apresentando alta eficácia na redução de episódios de cistite recorrente ao restaurar o ambiente vaginal fisiológico.

Perguntas Frequentes

Por que a menopausa aumenta o risco de cistite?

A deficiência de estrogênio leva à redução de lactobacilos vaginais e ao aumento do pH. Isso favorece a colonização por patógenos uropatogênicos da flora fecal, como a E. coli, aumentando a incidência de infecções do trato urinário inferior. Além disso, a atrofia do epitélio uretral e vesical diminui as barreiras defensivas naturais contra infecções ascendentes.

Quais as contraindicações ao estrogênio tópico?

Embora a absorção sistêmica seja mínima, as contraindicações clássicas incluem sangramento vaginal de causa desconhecida e neoplasias estrogênio-dependentes ativas (como câncer de mama ou endométrio). No entanto, em pacientes com câncer de mama em remissão, o uso pode ser discutido com a oncologia se as medidas não hormonais falharem.

Qual a diferença entre lubrificantes e estrogênio tópico?

Lubrificantes e hidratantes vaginais são terapias não hormonais que melhoram o conforto imediato e a hidratação tecidual, mas não revertem as alterações fisiopatológicas da atrofia. O estrogênio tópico atua diretamente nos receptores, restaurando a espessura do epitélio, a vascularização e a microbiota ácida protetora.

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