Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Mulher de 55 anos, menopausada há 6 anos, relata ressecamento vaginal, dispareunia e diminuição da libido. Exame ginecológico evidencia mucosa atrófica. Qual a melhor conduta?
Atrofia vaginal isolada → Estrogênio tópico (creme/óvulo) = ↑ Trofismo e ↓ Sintomas.
Na síndrome geniturinária da menopausa sem sintomas sistêmicos, a terapia estrogênica local é preferível pela eficácia superior e menor absorção sistêmica.
A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é uma condição crônica resultante da deficiência de estrogênio, afetando o epitélio vaginal, uretra e bexiga. Diferente dos sintomas vasomotores, que podem melhorar com o tempo, a atrofia urogenital tende a piorar sem tratamento. A redução do estrogênio leva à diminuição do colágeno e da vascularização, além de reduzir a produção de glicogênio, o que aumenta o pH vaginal e predispõe a infecções e desconforto urinário. O tratamento de primeira linha para mulheres com sintomas moderados a graves é o estrogênio tópico. Esta terapia restaura a anatomia vaginal e melhora significativamente a lubrificação e a dispareunia. Por ter ação local, é considerada segura para a maioria das mulheres. A adesão ao tratamento é fundamental, pois a interrupção resulta no retorno gradual dos sintomas, sendo muitas vezes necessária a manutenção a longo prazo para preservar a qualidade de vida sexual e a saúde urogenital.
Em pacientes com útero intacto que utilizam estrogênio sistêmico, a oposição com progesterona é obrigatória para prevenir hiperplasia endometrial. No entanto, no tratamento da síndrome geniturinária da menopausa com estrogênio tópico em doses baixas (como estriol ou promestrieno), a absorção sistêmica é mínima e geralmente não resulta em níveis plasmáticos suficientes para estimular o endométrio. Portanto, diretrizes como as da NAMS e FEBRASGO indicam que não há necessidade de progesterona concomitante para proteção endometrial quando se utiliza apenas a terapia estrogênica vaginal local. É uma opção segura para mulheres com sintomas exclusivamente urogenitais, proporcionando alívio eficaz com perfil de segurança superior.
As contraindicações ao estrogênio tópico são semelhantes às da terapia sistêmica, embora o risco absoluto seja muito menor devido à baixa absorção. Incluem: sangramento vaginal de causa desconhecida, neoplasias estrogênio-dependentes atuais (especialmente câncer de endométrio ou de mama), e hipersensibilidade aos componentes da fórmula. Em sobreviventes de câncer de mama, o uso de estrogênio tópico para atrofia grave deve ser uma decisão compartilhada com o oncologista, geralmente reservada para casos em que lubrificantes e hidratantes falharam, priorizando preparações com mínima absorção sistêmica para garantir a segurança da paciente.
Não, lubrificantes e hidratantes vaginais têm mecanismos de ação diferentes. Os lubrificantes são usados apenas durante a atividade sexual para reduzir o atrito imediato. Os hidratantes vaginais são aplicados regularmente para manter a umidade do tecido, mas nenhum deles trata a causa subjacente da atrofia. O estrogênio tópico, por outro lado, é um tratamento etiológico que restaura a espessura do epitélio vaginal, aumenta a vascularização, melhora a elasticidade e normaliza o pH vaginal ao promover o crescimento de lactobacilos. Portanto, para pacientes com atrofia moderada a grave, o estrogênio local é necessário para reverter as alterações estruturais da mucosa.
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