Síndrome Geniturinária da Menopausa: Diagnóstico e Tratamento

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 57 anos apresenta disúria frequente, secura vaginal e dispareunia. Relata que nas últimas 3 consultas foi investigada para infecção urinária com exame parcial de urina (urina tipo I/EAS), sem alteração no exame. Vem ao consultório de APS para atendimento. Durante a anamnese da paciente, relata não ter histórico de comorbidades, não ter história de neoplasia na família próxima e que a última mamografia realizada não apresentou alterações. Assinale a alternativa mais adequada para o manejo dessa paciente:

Alternativas

  1. A) Prescrever nitrofurantoína 100mg 1 vez ao dia, uso contínuo;
  2. B) Explicar que são sintomas esperados para a faixa etária e que a conduta é expectante;
  3. C) Prescrever sertralina 50mg 1 vez ao dia;
  4. D) Prescrever estriol creme vaginal 2 vezes na semana.

Pérola Clínica

Sintomas urinários/vaginais pós-menopausa com EAS normal → Síndrome Geniturinária da Menopausa = Estrogênio tópico.

Resumo-Chave

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) é uma condição comum que afeta mulheres na pós-menopausa devido à deficiência estrogênica. Manifesta-se com sintomas como secura vaginal, dispareunia e sintomas urinários irritativos (disúria, urgência), mesmo com exames de urina normais. O tratamento de primeira linha é a terapia estrogênica vaginal tópica.

Contexto Educacional

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva que afeta até 50% das mulheres na pós-menopausa. É causada pela diminuição dos níveis de estrogênio, levando a alterações atróficas nos tecidos da vulva, vagina, uretra e bexiga. Sua importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida das pacientes, afetando a função sexual, urinária e o bem-estar geral, sendo um diagnóstico frequentemente subestimado ou mal interpretado. Fisiopatologicamente, a deficiência estrogênica resulta em afinamento do epitélio vaginal e uretral, diminuição da vascularização, redução da produção de colágeno e elastina, e alteração do pH vaginal, tornando os tecidos mais frágeis e suscetíveis a irritações e infecções. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas característicos e na exclusão de outras causas, como infecções urinárias, especialmente quando o exame de urina é normal. A suspeita deve ser alta em qualquer mulher pós-menopausa com sintomas geniturinários. O tratamento padrão-ouro para a SGM é a terapia estrogênica vaginal tópica (cremes, anéis, comprimidos), que age localmente para reverter as alterações atróficas com mínima absorção sistêmica, sendo segura e eficaz para a maioria das pacientes. Outras opções incluem lubrificantes e hidratantes vaginais não hormonais. É fundamental educar a paciente sobre a natureza crônica da condição e a necessidade de tratamento contínuo para manter o alívio dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM)?

Os principais sintomas da SGM incluem secura vaginal, irritação, prurido, dispareunia (dor durante o sexo), disúria (dor ao urinar), urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes, todos relacionados à atrofia dos tecidos geniturinários.

Por que o estrogênio tópico é o tratamento de escolha para a SGM?

O estrogênio tópico é o tratamento de escolha porque atua diretamente nos receptores estrogênicos da vagina e uretra, restaurando a espessura e elasticidade dos tecidos, melhorando a vascularização e a lubrificação, e aliviando os sintomas de forma eficaz e com mínima absorção sistêmica.

Como diferenciar a SGM de uma infecção do trato urinário (ITU) em mulheres na pós-menopausa?

A diferenciação é feita principalmente pela análise de urina. Na SGM, o exame de urina (urina tipo I/EAS) geralmente é normal, sem sinais de infecção bacteriana. Em contraste, na ITU, haverá evidência de bacteriúria, piúria e outros marcadores inflamatórios.

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