HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2023
Mulher, 65 anos, queixa-se de disúria, dispareunia, presença de ondas de calor que não a incomodam e episódios ocasionais de incontinência urinária quando tosse. Antecedentes pessoais: Amenorreia aos 45 anos, após histerectomia subtotal; HDL baixo e triglicérides elevados, porém, recentemente adotou exercícios e mudanças na dieta. Antecedentes familiares: pai tabagista e morreu de doença coronariana aos 44 anos. Exame ginecológico: Atrofia vulvar, Exame de urina I e urocultura sem alterações. A conduta adequada para esse caso é:
Atrofia vulvovaginal pós-menopausa com sintomas locais → estrogênio tópico vaginal é a conduta de escolha, mesmo fora da 'janela de oportunidade'.
A paciente apresenta sintomas de síndrome geniturinária da menopausa (atrofia vulvovaginal) devido à deficiência estrogênica. Como os sintomas são predominantemente locais e não há ondas de calor incômodas, o tratamento de escolha é o estrogênio tópico vaginal, que tem menor absorção sistêmica e menos riscos.
A síndrome geniturinária da menopausa (SGM), anteriormente conhecida como atrofia vulvovaginal, é uma condição crônica e progressiva causada pela deficiência estrogênica. Afeta uma parcela significativa das mulheres pós-menopausa, impactando negativamente sua qualidade de vida. Os sintomas incluem secura vaginal, prurido, queimação, dispareunia, disúria, urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes, resultantes da atrofia do epitélio vaginal e urogenital. A fisiopatologia da SGM está diretamente ligada à diminuição dos níveis de estrogênio, que leva ao afinamento do epitélio vaginal, redução da vascularização, diminuição da elasticidade e alterações no pH vaginal. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame ginecológico que revela atrofia vulvar e vaginal. É importante descartar outras causas para os sintomas urinários, como infecções do trato urinário, o que foi feito no caso com urina I e urocultura normais. A conduta adequada para a SGM, especialmente quando os sintomas são predominantemente locais e não há outras indicações para terapia hormonal sistêmica (como ondas de calor intensas), é o uso de estrogênio tópico vaginal. Este tratamento é altamente eficaz, com absorção sistêmica mínima, o que o torna seguro para a maioria das mulheres, inclusive aquelas com contraindicações à terapia sistêmica ou que estão fora da 'janela de oportunidade'. A histerectomia prévia não contraindica o uso de estrogênio tópico para sintomas locais.
Os sintomas incluem secura vaginal, dispareunia (dor na relação sexual), prurido e queimação vaginal, disúria, urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes, todos relacionados à atrofia dos tecidos urogenitais.
O estrogênio tópico vaginal atua diretamente nos receptores estrogênicos da vagina e uretra, aliviando os sintomas locais com absorção sistêmica mínima. Isso reduz os riscos associados à terapia hormonal sistêmica, tornando-o seguro para a maioria das mulheres.
Em pacientes histerectomizadas (total ou subtotal), a progesterona não é necessária na terapia hormonal sistêmica, pois não há útero para proteger contra a hiperplasia endometrial. No entanto, para sintomas locais de atrofia, o estrogênio tópico continua sendo a primeira escolha, independentemente do tipo de histerectomia.
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