HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Mulher cis de 62 anos comparece à consulta por queixa de urgeincontinência e episódios de infecção urinária – 3 nos últimos 6 meses. Refere hipertensão arterial sistêmica e faz uso de losartana 50 mg/dia. Nuligesta, menopausa aos 49 anos, nega terapia hormonal da menopausa; atualmente sem atividade sexual, pois é divorciada há 5 anos. Ao exame físico: órgãos genitais externos hipotróficos e sem perdas urinárias ao esforço solicitado. Exame especular com conteúdo vaginal escasso, diminuição da rugosidade das paredes vaginais e petéquias subepiteliais na mucosa. Assinale a alternativa correta em relação à abordagem terapêutica para os sintomas dessa paciente.
Estrogênio vaginal isolado → melhora GSM e ITU sem necessidade de progestágeno para proteção endometrial.
O estrogênio vaginal em doses baixas trata a atrofia urogenital e reduz ITUs de repetição sem atingir níveis sistêmicos suficientes para estimular o endométrio.
A síndrome genitourinária da menopausa (GSM) engloba sintomas vulvovaginais e urinários decorrentes da deficiência estrogênica. A paciente apresenta o quadro clássico: secura, petéquias (sinal de fragilidade capilar) e ITUs recorrentes. O tratamento tópico é altamente eficaz e seguro. A absorção sistêmica do estrogênio vaginal é mínima, o que justifica a não utilização de progestágenos para proteção endometrial. Além disso, a via sistêmica (oral/transdérmica) muitas vezes não resolve os sintomas urogenitais tão bem quanto a via local, sendo esta última preferencial para queixas isoladas de atrofia.
Estudos mostram que o uso de estrogênio vaginal em baixas doses (como estriol ou promestrieno) não resulta em proliferação endometrial significativa. Portanto, não há evidências de aumento do risco de hiperplasia ou adenocarcinoma endometrial, tornando a oposição com progestágenos desnecessária para a maioria das pacientes tratadas topicamente, conforme as diretrizes da NAMS e FEBRASGO.
O hipoestrogenismo altera o pH vaginal e a flora (redução de Lactobacilos), favorecendo a colonização por enterobactérias. A reposição tópica restaura o trofismo, acidifica o meio e restabelece a barreira protetora, sendo padrão-ouro na prevenção de ITUs recorrentes nesta fase, superando muitas vezes a eficácia da profilaxia antibiótica a longo prazo.
Não. Embora o laser de CO2 fracionado seja uma opção para pacientes com contraindicação absoluta à terapia hormonal (como histórico de câncer de mama), o estrogênio vaginal continua sendo o tratamento de primeira linha devido ao custo-benefício e robustez de evidências clínicas acumuladas.
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