Síndrome de Li-Fraumeni: Diagnóstico e TP53

HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 28 anos, com histórico familiar de sarcoma em um tio materno aos 40 anos e câncer de mama na mãe aos 42 anos, apresenta um diagnóstico recente de carcinoma adrenocortical. Considerando a Síndrome de Li-Fraumeni e os critérios diagnósticos associados, a conduta mais adequada em relação ao diagnóstico genético dessa paciente é:

Alternativas

  1. A) Indicar pesquisa de mutação no gene TP53 devido ao carcinoma adrenocortical, independentemente da história familiar.
  2. B) Adiar a pesquisa da mutação TP53 até que haja confirmação de sarcoma em outro membro da família.
  3. C) Desconsiderar a pesquisa de mutação TP53, pois o carcinoma adrenocortical não está entre os cânceres associados à síndrome de Li-Fraumeni.
  4. D) Realizar apenas pesquisa dos genes BRCA1 e BRCA2, pois são os principais responsáveis por cânceres hereditários de mama e adrenais.

Pérola Clínica

Carcinoma adrenocortical em < 45 anos → investigar mutação TP53 (Li-Fraumeni), mesmo sem história familiar clássica.

Resumo-Chave

O carcinoma adrenocortical é um tumor altamente sugestivo de Síndrome de Li-Fraumeni, especialmente em jovens. A presença deste tumor por si só já justifica a pesquisa da mutação no gene TP53, independentemente de outros critérios familiares clássicos.

Contexto Educacional

A Síndrome de Li-Fraumeni (SLF) é uma síndrome rara de predisposição hereditária ao câncer, caracterizada por um risco aumentado de desenvolver múltiplos tipos de tumores malignos em idades jovens. É uma condição autossômica dominante, e sua prevalência é subestimada, sendo crucial para o diagnóstico precoce e manejo. A fisiopatologia da SLF está ligada a mutações germinativas no gene TP53, um gene supressor tumoral fundamental no controle do ciclo celular e apoptose. O carcinoma adrenocortical é um dos tumores mais fortemente associados à SLF, sendo um critério diagnóstico importante, especialmente quando ocorre em pacientes jovens (<45 anos). A suspeita deve ser alta mesmo na ausência de uma história familiar clássica. O diagnóstico genético da mutação TP53 é crucial para a confirmação da SLF, permitindo o aconselhamento genético e a implementação de programas de rastreamento intensivo para os pacientes afetados e seus familiares. O manejo inclui vigilância rigorosa para detecção precoce de tumores e estratégias de redução de risco, visando melhorar o prognóstico e a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de Síndrome de Li-Fraumeni?

Os critérios clássicos incluem sarcoma em <45 anos, câncer em parente de 1º grau <45 anos e câncer em parente de 1º ou 2º grau <45 anos. No entanto, certos tumores como carcinoma adrenocortical, plexo coroide e rabdomiossarcoma em crianças são altamente sugestivos.

Qual a importância da mutação TP53 na Síndrome de Li-Fraumeni?

A mutação germinativa no gene TP53 é a causa primária da Síndrome de Li-Fraumeni, conferindo um risco significativamente aumentado para múltiplos tipos de câncer ao longo da vida, devido à disfunção de um importante gene supressor tumoral.

Quais tumores estão associados à Síndrome de Li-Fraumeni?

Os tumores mais comuns incluem sarcomas de partes moles, osteossarcomas, câncer de mama pré-menopausa, tumores cerebrais (especialmente astrocitomas e tumores do plexo coroide), leucemia e carcinoma adrenocortical.

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