UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Homem de 85 anos relata perda de 10 kg em 8 meses, fraqueza e cansaço, com redução do nível de energia e 3 quedas sem lesões importantes nos últimos 6 meses, a última há 15 dias. Fica deitado cerca de 18 horas/dia e não consegue andar uma quadra. Refere incontinência urinária e deficiência de memória. AP: hipertensão arterial, doença arterial coronariana, diabetes mellitus, hiperplasia benigna de próstata, deficiências visual e auditiva. Faz uso de enalapril, metformina, polivitamínico, amlodipino, atenolol, AAS, finasterida e sinvastatina. Exame físico: IMC de 20 kg/m² , circunferência de panturrilha 28 cm, marcha lenta e de passos curtos, gastou 33 segundos para andar 6 metros. Obteve 29 pontos no Mini Exame do Estado Mental. O diagnóstico de Síndrome da Fragilidade é justificado por
Síndrome da Fragilidade (Fried): ≥3 de perda peso, fadiga, fraqueza, lentidão, inatividade.
A Síndrome da Fragilidade é uma condição geriátrica caracterizada por diminuição da reserva fisiológica e resistência a estressores, aumentando a vulnerabilidade a desfechos adversos. O diagnóstico é feito pela presença de pelo menos três dos cinco critérios de Fried: perda de peso não intencional, fadiga/exaustão, fraqueza muscular, lentidão da marcha e baixo nível de atividade física.
A Síndrome da Fragilidade é uma condição geriátrica complexa e multifatorial, caracterizada por uma diminuição da reserva fisiológica e da resistência a estressores, resultando em maior vulnerabilidade a desfechos adversos de saúde. É um conceito fundamental na geriatria e um tópico relevante para residentes e estudantes de medicina, dada a crescente população idosa. A identificação precoce da fragilidade permite intervenções que podem melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade. O diagnóstico da Síndrome da Fragilidade é classicamente baseado nos critérios de Fried e colaboradores, que incluem cinco componentes: perda de peso não intencional, fadiga ou exaustão autorrelatada, fraqueza muscular (medida pela força de preensão manual), lentidão da marcha (medida pelo tempo para percorrer uma distância) e baixo nível de atividade física. A presença de três ou mais desses critérios define a fragilidade, enquanto um ou dois critérios indicam pré-fragilidade. O caso clínico apresentado descreve um paciente idoso com perda de peso, fraqueza, cansaço (fadiga), inatividade física e lentidão da marcha, preenchendo múltiplos critérios. O manejo da fragilidade envolve uma abordagem abrangente, incluindo exercícios físicos (especialmente de resistência), otimização nutricional (suplementação proteica), revisão da polifarmácia e tratamento das comorbidades. A compreensão da Síndrome da Fragilidade é essencial para a prática clínica, pois permite a estratificação de risco, a implementação de planos de cuidado individualizados e a promoção de um envelhecimento mais saudável e ativo para os pacientes.
Os cinco critérios de Fried são: perda de peso não intencional (>4,5 kg ou 5% do peso corporal em 1 ano), fadiga/exaustão (autorrelatada), fraqueza muscular (força de preensão manual reduzida), lentidão da marcha (tempo para andar 4,6 metros) e baixo nível de atividade física (gasto energético semanal).
A fragilidade é uma síndrome de vulnerabilidade fisiológica, enquanto comorbidades são doenças específicas e incapacidade é a dificuldade em realizar atividades diárias. Um idoso frágil pode ter comorbidades e/ou incapacidade, mas a fragilidade se refere à diminuição da reserva e resistência a estressores, avaliada pelos critérios de Fried.
O diagnóstico da Síndrome da Fragilidade é crucial porque identifica idosos com maior risco de desfechos adversos, como quedas, hospitalizações, institucionalização, incapacidade e mortalidade. Permite intervenções precoces para retardar ou reverter a fragilidade, melhorando a qualidade de vida.
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