Síndrome de Fragilidade: Diagnóstico e Manejo no Idoso

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 79 anos, sexo feminino, procurou o ambulatório com quadro de perda ponderal de 6 kg há um ano, associada à exaustão para realizar as atividades domésticas, diminuição da velocidade de marcha, preferindo ficar a maior parte do tempo sentada, devido à fraqueza física. História pregressa de depressão tardia, em uso de sertralina há 3 anos. Negou outras comorbidades. Negou hábitos de tabagismo e etilismo. Ao exame físico: corada, eupneica, com ausência de adenomegalias e tireoide palpável, uso de prótese dentária bem adaptada. Sem alterações nos aparelhos respiratório, cardiovascular, abdominal, osteomuscular e neurológico. PA: 130x80 mmHg; FC: 86 bpm; FR: 18 inc./min.; IMC: 19 kg/m²; circunferência de panturrilha esquerda 27 cm; velocidade de marcha < 0.8m/s. Podemos afirmar, EXCETO, que

Alternativas

  1. A) deve ser orientada em relação aos cuidados para prevenção de quedas, devido ao risco de desenvolver instabilidade postural.
  2. B) é importante controlar adequadamente a depressão pré-existente e revisar o uso do anti-depressivo, para o manejo de um tratamento adequado.
  3. C) o caso sugere que a paciente tenha uma sarcopenia.
  4. D) o caso sugere que a paciente tenha uma síndrome de fragilidade.
  5. E) o caso sugere que a paciente tenha uma pré-fragilidade.

Pérola Clínica

Paciente com >3 critérios de Fried (perda peso, exaustão, fraqueza, marcha lenta, baixa atividade) = Síndrome de Fragilidade.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos critérios de fragilidade (perda ponderal, exaustão, fraqueza, baixa velocidade de marcha) e indicativos de sarcopenia (IMC baixo, circunferência de panturrilha reduzida). Portanto, ela já se enquadra na síndrome de fragilidade, e não em pré-fragilidade, que é caracterizada por 1 ou 2 critérios.

Contexto Educacional

A síndrome de fragilidade é uma condição geriátrica complexa e multifatorial, caracterizada por uma diminuição da reserva e resistência a estressores, resultando em maior vulnerabilidade a eventos adversos e desfechos negativos de saúde. É prevalente em idosos e sua identificação precoce é fundamental para a implementação de intervenções que possam retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida. Os critérios de Fried et al. são amplamente utilizados para o diagnóstico, incluindo perda de peso não intencional, exaustão, fraqueza, baixa velocidade de marcha e baixa atividade física. A paciente do caso clínico preenche múltiplos critérios de fragilidade, como perda ponderal significativa, exaustão, fraqueza física e diminuição da velocidade de marcha, além de apresentar indicadores de sarcopenia (IMC baixo e circunferência de panturrilha reduzida). A presença de três ou mais desses critérios classifica a paciente como frágil, e não pré-frágil (que se refere a 1 ou 2 critérios). A depressão é uma comorbidade comum que pode agravar o quadro de fragilidade, exigindo manejo adequado. O manejo da síndrome de fragilidade é multidisciplinar e visa prevenir quedas, otimizar o estado nutricional, promover a atividade física adaptada, revisar a polifarmácia e tratar comorbidades. Para residentes, a capacidade de diagnosticar a fragilidade e iniciar um plano de cuidados abrangente é essencial para a prática geriátrica, impactando diretamente a autonomia e o bem-estar dos pacientes idosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico da síndrome de fragilidade?

Os principais critérios para o diagnóstico da síndrome de fragilidade, segundo Fried et al., incluem: perda de peso não intencional (>4,5 kg ou 5% do peso corporal em 1 ano), fadiga/exaustão autorreferida, fraqueza muscular (medida pela força de preensão), baixa velocidade de marcha e baixa atividade física. A presença de três ou mais desses critérios define a fragilidade.

Como a sarcopenia se relaciona com a síndrome de fragilidade?

A sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e força muscular, é um componente central e muitas vezes um precursor da síndrome de fragilidade. A baixa força muscular e a baixa velocidade de marcha, critérios da fragilidade, são diretamente influenciadas pela sarcopenia, que contribui significativamente para a vulnerabilidade do idoso.

Qual a importância de controlar a depressão em pacientes com fragilidade?

A depressão é um fator de risco e uma comorbidade comum na síndrome de fragilidade, podendo exacerbar seus sintomas como fadiga, perda de peso e inatividade. O controle adequado da depressão é crucial para melhorar a qualidade de vida, a adesão a intervenções e o prognóstico geral do paciente frágil, sendo parte integrante do plano de manejo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo