UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018
Paciente, sexo masculino, 80 anos, é trazido pela filha para ambulatório de geriatria. O paciente não referia qualquer queixa, falava que morava sozinho desde o falecimento da esposa (há 2 anos) e que vivia bem a sua rotina em casa. Segundo suas informações, tomava as medicações por conta própria e fazia sua própria comida. A filha complementou as informações dizendo que a energia de sua casa foi cortada duas vezes nos últimos 6 meses por falta de pagamento, além de ter observado que as cartelas de medicamentos para hipertensão arterial estavam cheias (em uso de enalapril e anlodipina), inferindo o não uso das medicações. Ao exame físico, foi observado níveis tensionais mais elevados (PA: 160x100mmHg), sem outros dados que chamavam a atenção. Nos testes cognitivos e funcionais observaram-se os seguintes dados: -- MEEM (MINI EXAME DO ESTADO MENTAL): 25/30; -- FLUÊNCIA VERBAL; 12 PALAVRAS; -- TESTE DO DESENHO DO RELÓGIO: 14/15; -- ESCALA DE ATIVIDADE BÁSICAS DE VIDA DIÁRIA DE KATZ: 4/6; -- GDS (ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA): 1/15; Em relação ao principal diagnóstico sindrômico do paciente e ao tratamento farmacológico, é CORRETO afirmar que:
Idoso com declínio funcional (Katz 4/6) e não adesão medicamentosa → Síndrome de Fragilidade/Declínio Funcional.
O paciente apresenta sinais de declínio funcional e não adesão medicamentosa, indicando uma síndrome de fragilidade ou comprometimento funcional. Embora os testes cognitivos não mostrem demência grave, a selegilina, um inibidor da MAO-B, é usada na Doença de Parkinson, que pode cursar com declínio funcional.
O paciente idoso do caso apresenta um quadro complexo que aponta para uma síndrome de fragilidade e declínio funcional, evidenciado pela dificuldade em gerenciar as finanças (energia cortada), não adesão medicamentosa (cartelas cheias de anti-hipertensivos) e um escore de Katz de 4/6, indicando dependência em algumas Atividades Básicas de Vida Diária (ABVD). Embora o MEEM e o GDS não sugiram demência ou depressão graves, a avaliação geriátrica ampla é crucial para identificar riscos. A não adesão medicamentosa é um problema comum em idosos, multifatorial, e pode levar à descompensação de doenças crônicas, como a hipertensão arterial descontrolada observada. A intervenção deve ser individualizada, focando na educação do paciente e familiares, simplificação do esquema terapêutico e acompanhamento próximo. A alternativa correta, que menciona a selegilina, direciona para o tratamento de condições como a Doença de Parkinson, que é comum em idosos e pode cursar com declínio funcional. Embora o enunciado não forneça dados claros de Parkinson, a questão testa o conhecimento sobre opções farmacológicas em geriatria. Antagonistas de NMDA (memantina) e inibidores de acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina) são para demência, e inibidores de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina) para depressão, que não são os diagnósticos sindrômicos principais aqui.
A AGA inclui avaliação funcional (ABVD, AIVD), cognitiva (MEEM, Teste do Desenho do Relógio), do humor (GDS), social, nutricional e polifarmácia, visando identificar síndromes geriátricas.
A não adesão pode ser identificada por frascos de medicação cheios, piora de doenças crônicas controladas, relatos de familiares ou cuidadores, e através de questionários específicos.
A selegilina é um inibidor seletivo da MAO-B, utilizado principalmente no tratamento da Doença de Parkinson, podendo ser usada como monoterapia em fases iniciais ou como adjuvante para reduzir flutuações motoras.
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