Síndrome da Fragilidade no Idoso: Critérios Diagnósticos

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 78 anos, com 15 anos de escolaridade, tabagista 40 anos-maço, é portadora de ICFER, câncer de mama, depressão, DAOP, DM2, deficiência visual e usa prótese auditiva. Relata perda de 8 kg em 6 meses sem realizar dieta, fraqueza, cansaço e sente que o nível de energia está reduzido, passa mais de 16 horas ao dia deitada e não consegue subir um lance de escada. Teve duas quedas nos últimos 3 meses sem lesões importantes. Faz uso de losartan, furosemida, anastrozol, sertralina, trimetazidina, AAS, sinvastatina, vildagliptina, gliclazida. EF: IMC: 21 kg/m2, peso: 71 kg, circunferência de panturrilha: 30 cm. Gasta 35 segundos para andar 4,6 metros. Obteve 22 pontos no MEEM. Força de preensão palmar de 13 kg-força (normal acima de 16). O diagnóstico de Síndrome da Fragilidade pode ser realizado devido aos dados:

Alternativas

  1. A) Perda de 7 kg em 7 meses, uso de 8 medicamentos por dia, força de preensão palmar reduzida, presença de câncer.
  2. B) Perda 7 kg em 7 meses, fraqueza e nível de energia reduzido, velocidade da marcha reduzida, não subir um lance de escada.
  3. C) Mais de 16 horas ao dia deitada, ter 30 cm de circunferência da panturrilha, diminuição da velocidade da marcha, IMC de 21 kg/m².
  4. D) Fraqueza e nível de energia reduzido, passar mais de 16 horas ao dia deitada, ter 7 doenças, além de deficiência sensorial.

Pérola Clínica

Fragilidade (Fried) = ↓Peso + Exaustão + ↓Força + ↓Velocidade marcha + ↓Atividade física.

Resumo-Chave

O diagnóstico de fragilidade é clínico e funcional, baseado no fenótipo de Fried. Envolve perda de peso não intencional, autorrelato de exaustão, baixa força muscular, lentidão na marcha e baixo nível de atividade física.

Contexto Educacional

A Síndrome da Fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica decorrente do declínio das reservas fisiológicas e da desregulação de múltiplos sistemas. Ela se diferencia do envelhecimento normal por uma resposta inadequada a estressores externos. O fenótipo de Fried é a ferramenta mais validada para sua identificação, focando em componentes biológicos e funcionais. No caso clínico apresentado, a paciente preenche critérios claros: perda de peso (8kg), exaustão/baixo nível de energia, fraqueza (força de preensão de 13kg), lentidão (35 segundos para 4,6m) e inatividade (16h deitada). A circunferência da panturrilha reduzida (30cm) também sugere sarcopenia associada. O manejo deve ser multidisciplinar, focando na revisão da polifarmácia e na reabilitação física.

Perguntas Frequentes

Quais são os 5 critérios de Fried para fragilidade?

Os critérios são: 1. Perda de peso não intencional (>4,5kg ou >5% do peso corporal no último ano); 2. Exaustão (autorrelato de fadiga); 3. Diminuição da força de preensão palmar (medida por dinamômetro); 4. Baixa velocidade de marcha (tempo para percorrer 4,6m); 5. Baixo nível de atividade física.

Como classificar o idoso quanto à fragilidade?

O idoso é considerado 'Frágil' se apresentar 3 ou mais critérios de Fried. Se apresentar 1 ou 2 critérios, é classificado como 'Pré-frágil'. Se não apresentar nenhum critério, é considerado um idoso 'Robusto' ou não frágil.

Qual a importância clínica de identificar a fragilidade?

A fragilidade é um preditor independente de desfechos adversos, como quedas, hospitalização, institucionalização e morte. Identificá-la permite intervenções precoces, como exercícios de resistência e suporte nutricional, que podem reverter ou estabilizar o quadro.

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