Síndrome do X Frágil: Diagnóstico Genético e Sinais Clínicos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 15 anos é atendido em ambulatório de pediatria devido ao diagnóstico de deficiência intelectual. Ele apresenta crises convulsivas que estão sob controle com uso de medicamentos. Anteriormente, o psiquiatra fez o diagnóstico de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Ao exame físico, o paciente apresenta perímetro cefálico acima da média, frontal alto, face alongada, orelhas proeminentes e prognatismo. Além disso, é observado peito escavado, escoliose, macrorquidia, hérnia inguinal, pés planos e hiperextensibilidade de articulações metacarpofalangianas. Para confirmação da etiologia da deficiência intelectual e das características fenotípicas encontradas nesse caso, o exame indicado é a(o)

Alternativas

  1. A) sequenciamento genético. 
  2. B) ressonância de sela túrcica.
  3. C) tomografia computadorizada de crânio.
  4. D) eletroencefalograma em sono induzido.

Pérola Clínica

DI + macrorquidia + face alongada + orelhas proeminentes + hiperextensibilidade articular → suspeitar de Síndrome do X Frágil, confirmar com sequenciamento genético.

Resumo-Chave

A constelação de deficiência intelectual, TDAH, crises convulsivas, macrorquidia, face alongada, orelhas proeminentes e hiperextensibilidade articular é altamente sugestiva da Síndrome do X Frágil. O diagnóstico definitivo é feito por exame genético que detecta a expansão de repetições CGG no gene FMR1.

Contexto Educacional

A Síndrome do X Frágil é a causa hereditária mais comum de deficiência intelectual e a segunda causa genética mais comum, superada apenas pela Síndrome de Down. É uma condição ligada ao cromossomo X, causada pela expansão de repetições de trinucleotídeos CGG no gene FMR1, que leva à ausência ou redução da proteína FMRP, essencial para o desenvolvimento cerebral. A condição afeta predominantemente meninos, que geralmente apresentam um quadro mais grave. O quadro clínico é caracterizado por deficiência intelectual de grau variável, atraso no desenvolvimento, e uma série de características físicas e comportamentais. As características fenotípicas incluem face alongada, orelhas proeminentes, prognatismo, e, após a puberdade, macrorquidia (testículos aumentados). Comportamentalmente, é comum encontrar TDAH, ansiedade, e traços do espectro autista. Crises convulsivas e achados musculoesqueléticos como pés planos, escoliose e hiperextensibilidade articular também podem estar presentes, como no caso descrito. Diante de um paciente com deficiência intelectual e essa constelação de achados fenotípicos e comportamentais, a suspeita de Síndrome do X Frágil é alta. O exame indicado para a confirmação da etiologia é o sequenciamento genético ou teste molecular específico para o gene FMR1, que detecta a expansão das repetições CGG. O diagnóstico preciso é fundamental para o aconselhamento genético, o manejo multidisciplinar e a oferta de terapias direcionadas para otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da Síndrome do X Frágil?

As principais características incluem deficiência intelectual (mais grave em meninos), atraso no desenvolvimento, TDAH, ansiedade, traços autistas, macrorquidia (pós-puberdade), face alongada, orelhas proeminentes, prognatismo, e hiperextensibilidade articular. Crises convulsivas também podem ocorrer.

Como é feito o diagnóstico definitivo da Síndrome do X Frágil?

O diagnóstico definitivo é molecular, realizado por meio de testes genéticos que detectam a expansão de repetições de trinucleotídeos CGG no gene FMR1, localizado no cromossomo X. Técnicas como PCR e Southern Blot são utilizadas para identificar essa mutação.

Qual a importância do diagnóstico precoce da Síndrome do X Frágil?

O diagnóstico precoce permite o aconselhamento genético familiar, o acesso a intervenções terapêuticas e educacionais específicas para a deficiência intelectual e os distúrbios comportamentais, e o manejo adequado das comorbidades, melhorando a qualidade de vida do paciente e da família.

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