UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Menino, 8 anos, sem nenhuma intercorrência perinatal e neonatal, que concluiu apenas o ensino fundamental I, é encaminhado para avaliação de dificuldade de aprendizagem. No relato escolar consta dificuldade de reconhecimento das letras do alfabeto, de realizar a soma mesmo com a ajuda de recursos concretos e vocabulário pobre, aquém do que seria esperado para idade. A mãe refere que o filho tem dificuldades de higienizar-se, vestir-se, não conhece dinheiro e não sabe identificar as horas no relógio de ponteiro. Exame físico: face alongada; orelhas grandes e antevertidas; mandíbula proeminente; palato arqueado; hiperextensibilidade de articulações e macroorquidia. A principal hipótese diagnostica é síndrome:
X-Frágil → DI, macroorquidia, face alongada, orelhas grandes, hiperextensibilidade articular.
A Síndrome do X-Frágil é a causa hereditária mais comum de deficiência intelectual, caracterizada por um fenótipo físico e comportamental específico. A macroorquidia em meninos pós-puberais e a face alongada com orelhas grandes são achados clássicos, juntamente com dificuldades de aprendizagem e comportamento autista.
A Síndrome do X-Frágil é a causa hereditária mais comum de deficiência intelectual e a segunda causa genética mais comum, superada apenas pela Síndrome de Down. É uma condição ligada ao cromossomo X, afetando predominantemente meninos, embora meninas também possam ser afetadas com manifestações mais leves. O reconhecimento precoce é crucial para intervenções terapêuticas e suporte educacional adequados. A fisiopatologia envolve uma expansão de repetições de trinucleotídeos CGG no gene FMR1, localizado no cromossomo X, que leva à metilação e silenciamento do gene. Isso impede a produção da proteína FMRP, essencial para a função sináptica e o desenvolvimento neuronal. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela tríade de deficiência intelectual, dismorfismos faciais (face alongada, orelhas grandes) e macroorquidia em meninos pós-puberais, e confirmado por teste genético molecular. O tratamento é de suporte, focado em terapias educacionais, comportamentais e fonoaudiológicas para maximizar o potencial de desenvolvimento da criança. Medicamentos podem ser usados para controlar sintomas como hiperatividade ou ansiedade. O prognóstico varia, mas a intervenção precoce melhora significativamente a qualidade de vida. É fundamental o aconselhamento genético para as famílias.
Em meninos, os sinais incluem deficiência intelectual, macroorquidia (após a puberdade), face alongada, orelhas grandes e antevertidas, mandíbula proeminente e hiperextensibilidade articular. Podem apresentar também características de transtorno do espectro autista.
A Síndrome do X-Frágil é causada por uma expansão de repetições de trinucleotídeos CGG no gene FMR1 no cromossomo X. Essa expansão leva à metilação e silenciamento do gene, resultando na ausência ou redução da proteína FMRP, essencial para o desenvolvimento cerebral.
A diferenciação é feita pela combinação de achados clínicos, como a macroorquidia e os dismorfismos faciais específicos, e confirmada por teste genético molecular para a expansão do gene FMR1. Outras síndromes têm fenótipos distintos.
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