UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 42a, conta dores ósseas difusas há três anos. Há cinco meses percebeu lesão em joelho esquerdo, com crescimento progressivo. Foi internado por pancreatite aguda há dois meses. Exame físico: bom estado geral, eupneico, afebril. Hipercifose torácica. Lesão insuflativa em região proximal de tíbia direita. Exames laboratoriais: hemoglobina = 9,8 g/dL; leucócitos = 6.790/mm³; plaquetas = 187.000/mm³; cálcio = 15,3 g/dL; albumina = 3,5 g/dL; PTH = 2080 pg/mL; fósforo = 1,9 mg/dL. A hipercalcemia foi tratada com hidratação endovenosa e ácido zoledrônico. Paciente foi submetido à resseção de nódulo em topografia de paratireoide. Cálcio iônico no pós-operatório = 0,77 mmol/L. A conduta é prescrever:
PTH pré-op muito ↑ + queda brusca de Ca pós-op = Síndrome da Fome Óssea; requer Ca venoso + oral + Calcitriol.
A Síndrome da Fome Óssea ocorre pela rápida recaptação de cálcio pelo osso após a queda dos níveis de PTH, exigindo reposição agressiva de cálcio e vitamina D ativa.
O caso clínico apresenta um paciente com hiperparatireoidismo primário grave (PTH > 2000, cálcio 15,3, lesões ósseas insuflativas/tumor marrom). Após a retirada da paratireoide hiperfuncionante, a queda do PTH causa a Síndrome da Fome Óssea. O tratamento padrão ouro para estabilização envolve o tripé: cálcio venoso (gluconato) para correção rápida, cálcio oral (carbonato) para manutenção e calcitriol para garantir a absorção intestinal, justificando a alternativa C.
É uma complicação pós-operatória de paratireoidectomias em pacientes com hiperparatireoidismo grave (PTH e Fosfatase Alcalina muito elevados). Com a queda súbita do PTH, o osso, que estava em estado de alta reabsorção, passa a captar avidamente cálcio, magnésio e fósforo da circulação, levando a hipocalcemia profunda e prolongada.
Em casos de hipocalcemia sintomática ou cálcio iônico muito baixo (<0,8-0,9 mmol/L), deve-se iniciar gluconato de cálcio 10% venoso (ataque e manutenção se necessário). Simultaneamente, inicia-se carbonato de cálcio oral (dose alta, ex: 1-2g de cálcio elementar 3x/dia) e calcitriol (0,25 a 0,5 mcg 2x/dia) para otimizar a absorção intestinal.
O calcitriol é a forma ativa da vitamina D (1,25-di-hidroxivitamina D). Na ausência ou queda brusca do PTH, a conversão renal de colecalciferol em calcitriol fica prejudicada. O uso da forma ativa garante ação imediata nos receptores intestinais para aumentar a absorção de cálcio, essencial no manejo da fome óssea.
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