Síndrome da Fome Óssea: Hipocalcemia Pós-Paratireoidectomia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 66 anos, com carcinoma de paratireoide e história de fraturas patológicas, foi submetido à paratireoidectomia. No terceiro pós-operatório, apresenta parestesias e cãimbras em mãos. Exames laboratoriais: cálcio total = 6,7 mg/dL (valor de referência = 8,8 a 10,3), fósforo = 1,9 mg/dL (valor de referência = 2,5 a 4,5), magnésio = 1,5 mg/dL (valor de referência = 1,6 a 2,5) e 25-OH-vitamina D = 25 ng/mL (valor de referência > 30). Trata-se de hipocalcemia

Alternativas

  1. A) por deficiência de vitamina D.
  2. B) da malignidade.
  3. C) por hipoparatireoidismo pós-cirúrgico.
  4. D) secundária à hipomagnesemia.
  5. E) por “fome” óssea.

Pérola Clínica

Hipocalcemia pós-paratireoidectomia em hiperparatireoidismo crônico grave = Síndrome da Fome Óssea (Ca ↓, P ↓).

Resumo-Chave

A síndrome da fome óssea é uma complicação grave da paratireoidectomia em pacientes com hiperparatireoidismo crônico e doença óssea significativa. Caracteriza-se pela rápida captação de cálcio e fósforo pelos ossos após a remoção da fonte de PTH, resultando em hipocalcemia e hipofosfatemia severas.

Contexto Educacional

A paratireoidectomia é o tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo primário e para o carcinoma de paratireoide. No entanto, o pós-operatório pode ser desafiador, especialmente em pacientes com doença de longa data e significativa reabsorção óssea. Uma das complicações mais graves é a síndrome da fome óssea, que representa um ponto crítico de atenção para residentes. A síndrome da fome óssea ocorre quando, após a remoção da fonte excessiva de PTH, os ossos, que estavam cronicamente desmineralizados e 'famintos' por cálcio e fósforo, começam a recapturar esses minerais rapidamente da circulação. Isso leva a uma hipocalcemia e hipofosfatemia agudas e severas, que podem ser acompanhadas de hipomagnesemia. Os sintomas incluem parestesias, cãibras, tetania e, em casos graves, arritmias cardíacas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com cálcio e fósforo séricos muito baixos. O manejo da síndrome da fome óssea exige reposição agressiva de cálcio (intravenoso e oral) e vitamina D, monitoramento rigoroso dos eletrólitos e, por vezes, suplementação de magnésio. A prevenção envolve a identificação de pacientes de alto risco no pré-operatório e o início da suplementação antes e imediatamente após a cirurgia. Para residentes, o reconhecimento e tratamento rápido desta síndrome são cruciais para evitar morbidade e mortalidade significativas.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes estão em maior risco de desenvolver a síndrome da fome óssea?

Pacientes com hiperparatireoidismo primário grave e de longa duração, especialmente aqueles com doença óssea significativa (como osteíte fibrosa cística) ou níveis muito elevados de PTH pré-operatórios, estão em maior risco.

Como a síndrome da fome óssea se diferencia do hipoparatireoidismo pós-cirúrgico transitório?

A síndrome da fome óssea é mais grave, com hipocalcemia e hipofosfatemia acentuadas, e é causada pela rápida captação de minerais pelos ossos 'famintos'. O hipoparatireoidismo transitório é devido à supressão ou lesão das glândulas remanescentes, geralmente com hipocalcemia e hiperfosfatemia.

Qual é o tratamento inicial para a síndrome da fome óssea?

O tratamento envolve a reposição agressiva de cálcio intravenoso e oral, muitas vezes em altas doses, além de suplementação de vitamina D e, se necessário, magnésio, para compensar a rápida captação óssea.

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