Síndrome da Fome Óssea: Diagnóstico e Manejo Metabólico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação à síndrome da fome óssea (após cirurgia das paratireoides), assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Cursa com hipocalcemia.
  2. B) Cursa com hipomagnesenemia.
  3. C) Pode ocorrer após tireoidectomia total em pacientes com Graves insuficientemente tratados.
  4. D) Pode ocorrer após cirurgia das paratireoides em pacientes com hiperparatireoidismo severo.
  5. E) Cursa com hiperfosfatemia.

Pérola Clínica

Fome Óssea = ↓ Cálcio + ↓ Fósforo + ↓ Magnésio após paratireoidectomia.

Resumo-Chave

A queda brusca do PTH após cirurgia em pacientes com alto turnover ósseo leva à captação maciça de minerais pelo osso, causando hipocalcemia e hipofosfatemia.

Contexto Educacional

A Síndrome da Fome Óssea (Hungry Bone Syndrome) representa um estado de hipocalcemia grave que persiste por mais de 4 dias após a cirurgia cervical. Fisiopatologicamente, a remoção da fonte de excesso de PTH causa uma mudança abrupta no equilíbrio ósseo: a atividade osteoclástica (reabsorção) cessa, enquanto a atividade osteoblástica (formação) continua ou aumenta, levando ao influxo maciço de minerais para o esqueleto. O manejo clínico exige reposição agressiva de cálcio (frequentemente venoso inicialmente) e vitamina D ativa (calcitriol). A monitorização do magnésio é fundamental, pois a hipomagnesemia pode induzir resistência periférica ao PTH e dificultar a correção da hipocalcemia. É uma condição que exige vigilância rigorosa no pós-operatório de cirurgias endócrinas de grande porte.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome da Fome Óssea?

A Síndrome da Fome Óssea é uma complicação metabólica que ocorre após a paratireoidectomia (ou tireoidectomia em casos de Graves), caracterizada por hipocalcemia profunda e prolongada. Ela ocorre devido à interrupção súbita dos altos níveis de PTH, o que faz com que o osso, anteriormente em estado de alto turnover e reabsorção, passe a captar avidamente cálcio, fósforo e magnésio para a remineralização da matriz óssea.

Como diferenciar Fome Óssea de Hipoparatireoidismo?

A principal diferença laboratorial reside nos níveis de fosfato. Na Síndrome da Fome Óssea, há hipofosfatemia, pois o osso está 'sequestrando' o fósforo da circulação. No hipoparatireoidismo (seja transitório ou definitivo), há hiperfosfatemia, pois a ausência de PTH reduz a excreção renal de fosfato. Ambos apresentam hipocalcemia, mas o comportamento do fósforo é o divisor de águas no diagnóstico diferencial.

Quais pacientes têm maior risco de desenvolver essa síndrome?

Os principais fatores de risco incluem pacientes com hiperparatireoidismo primário severo (especialmente com evidências radiológicas de doença óssea, como osteíte fibrosa cística), níveis pré-operatórios muito elevados de PTH e cálcio, grandes adenomas de paratireoide e pacientes idosos. Pacientes com doença renal crônica e hiperparatireoidismo secundário/terciário também apresentam alto risco após a cirurgia.

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